Coordenadora de Núcleo da UFRJ e Departamento de Museu da França recomenda tombamento do Inzo Tumbansi

Tata Nkisi Katuvanjesi foi recebido na manhã de hoje (25/8) no Gabinete do Prefeito de Itapecerica da Serra, pelo secretário de Planejamento e Meio Ambiente, advogado Cláudio Silvestre Júnior, respondendo interinamente pela secretaria de Assuntos Jurídicos do município, representou o prefeito Jorge Costa, na recepção do requerimento e Laudo Antropológico que recomenda a Prefeitura de Itapecerica da Serra, grande São Paulo, o Tombamento do Território Tradicional de Matriz Centro-Africana Inzo Tumbansi. O documento, assinado por Vagner Gonçalves da Silva, professor doutor e pesquisador do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (USP), e CERNe (Centro de Estudos das Religiosidades e Culturas Negras), uma das mais respeitadas universidades da América Latina versa sobre vários aspectos do legado africano e importância das comunidades de terreiros em São Paulo e no Brasil.
Para a professora doutora Viviane Mendes de Moraes (Aza Njeri), “Terreiros são territórios afro-civilizatórios em que encontramos a experiência de Ser e Estar atrelada ao “modus vivendi” africano no Brasil. A partir de uma historiografia positiva do negro e das culturas africanas e afrodescendentes neste país, “situamos o terreiro Inzo Tumbansi como um local de cultura material e imaterial bantu no que tange ao conjunto ético, espiritual, filosófico, social, gastronômico, arquitetônico, musical e linguístico, sendo assim, um patrimônio sem precedentes para a cidade de Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo”.
Aza Njeri, ressaltou que Tata Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno), é um zelador afro-civilizatório que preserva não apenas o conhecimento secular do culto, mas sobretudo o conjunto ético e estético presente na dinâmica do terreiro. Enquanto pesquisadora dos Estudos Africana e Estudos Decoloniais, tal tombamento se mostra como importante passo para a preservação do legado dos bantu no Brasil, principalmente quando considera-se que cerca de 75% da ascendência negra no sudeste brasileiro é de origem banta das regiões do Congo, Angola e Moçambique. Pelo exposto, recomendo veementemente o tombamento do terreiro Inzo Tumbansi, sob a responsabilidade do zelador civilizatório Tata Nkisi Katuvanjesi, pelo município de Itapecerica da Serra e pelo Estado de São Paulo. A afirmação é Aza Njeri, coordenadora do Núcleo de Estudos Geracionais sobre Raça, Artes, Religião e História do Laboratório da História das Experiências Religiosas/UFRJ e do Núcleo de Filosofia Política do Laboratório Geru Maa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na Carta de Recomendação que encaminhou a Prefeitura de Itapecerica da Serra, pugnando pelo Tombamento do Inzo Tumbansi como patrimônio civilizatório de interesse público, Aza Njeri ressaltou que Tata Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno), é um zelador afro-civilizatório que preserva não apenas o conhecimento secular do culto, mas sobretudo o conjunto ético e estético presente na dinâmica do terreiro. Enquanto pesquisadora dos Estudos Africana e Estudos Decoloniais, tal tombamento se mostra como importante passo para a preservação do legado dos bantu no Brasil, principalmente quando considera-se que cerca de 75% da ascendência negra no sudeste brasileiro é de origem bantu das regiões do Congo, Angola e Moçambique. Pelo exposto, recomendo veementemente o tombamento do terreiro Inzo Tumbansi, sob a responsabilidade de Tata Nkisi Katuvanjesi, pelo município de Itapecerica da Serra e pelo Estado de São Paulo.

Recomendação do Museu de Paris, França

Recomendação para o Tombamento material e imaterial do Inzo Tumbansi está mobilizando a comunidade acadêmica intelectual. A professora doutora Giovanna Capponi, do Departamento de Investigação e Educação do Museu do Quai Branly – Jacque Chirac, Paris (França), encaminhou manifesto ao Prefeito Jorge Costa, onde ressalta aspectos e importância do Terreio para Itapecerica da Serra, São Paulo e o Brasil. “O Inzo Tumbansi configura-se como um exemplo ilustre de comunidade de matriz africana, que resgata e valoriza as tradições de matriz bantu (Congo e Angola). Por meio das suas frequentes viagens de pesquisa em países de culturas bantu, Tata Katuvanjesi se dedicou, nas últimas décadas, à valorizar e incorporar as práticas religiosas tradicionais no candomblé bantu afro-brasileiro, promovendo ao mesmo tempo um diálogo cultural transatlântico com religiosos e personalidades ilustres tanto nos países africanos de culturas Bantu como nos contextos afro-diaspóricos das Américas. Por essas razões, o Inzo Tumbansi tornou-se um centro imprescindível de trocas e colaborações entre diferentes instituições acadêmicas, culturais e religiosas que têm o objetivo de incrementar o conhecimento sobre as práticas culturais de matriz africana no mundo, como demonstrado pela criação do ILABANTU (Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu) e pelo gerenciamento de eventos internacionais como o ECOBANTU (Encontro das Tradições Bantu no Brasil). Pela importância desse esforço de dimensão internacional e pelo sucesso na difusão dos seus projetos culturais, manifesto meu apoio com força e de forma incondicional ao tombamento do Inzo Tumbansi”, afirmou Capponi.

Chefe do Centro Histórico de Mbanza Kongo, Angola

Do continente africano, Biluka Nsakala Nsenga, chefe do Gabinete Técnico do Centro Histórico de Mbanza Kongo, capital espiritual e ancestral do Reino do Kongo, Patrimônio da Humanidade, na província do Zaire, norte de Angola, enviou carta ao Prefeito Itapecericano manifestando pelo Tombamento material e imaterial do Inzo Tumbansi.

Doutora em História pela USP destaca importância

Para a professora de história da África, Mariana Bracks Fonseca, doutora em História pela Universidade de São Paulo(USP)/ Pós-doutoranda na Universidade Federal de Sergipe, para além das suas ações , o Inzo Tumbansi se praticam as línguas kikongo, kimbundu, umbundu entre outras, sendo um importante repositório do patrimônio linguísticos centro-africano, que precisa ser melhor valorizado e estudado. As canções ali performadas apresentam os valores culturais e cosmológicos dos povos centro-africanas, constituindo-se assim fonte de inestimável valor para aprendermos sobre os princípios morais, filosóficos, políticos e religiosos das sociedades africanas.

Em sua recomendação ao Tombamento do Terreiro, Mariana Fonseca sustenta que é importante destacar que a população brasileira, sobretudo a do Sudeste, foi substancialmente formada por diversos povos centro-africanos e suas práticas culturais são bem visíveis como formadoras da cultura brasileira. 

O tombamento de Inzo Tumbansi colabora para a proteção e salvaguarda deste importante patrimônio cultural afro-brasileiro, representa a valorização da identidade religiosa centro-africana no Brasil e contribuiu para que a sociedade brasileira reconheça os terreiros de candomblé como acervo linguístico, histórico, filosófico, cessando assim a intolerância religiosa e os preconceitos contra esta religião. Por tudo isso, “como professora de História da África e da diáspora africana e pesquisadora das tradições centro-africanas no Brasil, manifesto total apoio ao tombamento de Inzo Tumbansi”.

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  1. 26th agosto 2020 | Yálorisà Ligia Borges says:
    Parabéns brilhante iniciativa

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