Família Tumbenci promoveu terceira reunião tradicional bantu em São Paulo

Itapecerica da Serra/SP – A Kizoonga Bantu Katatu – Terceira Reunião do Povo Tradicional, que o Ilabantu/Nzo Tumbansi promoveu dia 18 de maio em parceria com a Coordenadoria de Políticas para População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, dentro do projeto “São Paulo Contra o Racismo”, desenvolvido pela Fundação CEPAM, foi uma verdadeira celebração à tradição Congo-Angola em solo brasileiro, e contou com a presença marcante e inspiradora de Nengwa kwa Nkisi Lembamuxi, a carismática Mãe Florzinha, como é conhecida a senhora Gereuna Passos Santos, sacerdotisa máxima do candomblé congo-angola, herdeira e sucessora do Unzó Tumbenci de Maria Neném, casa matriz de Salvador, Bahia e sua comitiva. Logo pela manhã, a matriarca da ndanji(raíz) Tumbenci, procedente de Salvador, que veio especialmente para o evento, conduziu e presidiu a abertura tradicional do mesmo com rezas e cânticos sacros. Em seguida, o Taata kwa Nkisi Katuvanjesi, Nganga Diama (sacerdote supremo) do Nzo Tumbansi, formou a mesa politica integrada pelo professor Clóvis Pinto, que representou o Prefeito de Itapecerica da Serra.

Fruto do esforço do Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi, Walmir Damasceno, Coordenador Geral de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Gabinete do Prefeito de Itapecerica da Serra, auxiliado por membros do Ilabantu/Nzo Tumbansi, o encontro congregou na tradicional casa de candomblé congo-angola expoentes da Tradição Congo-Angola, assim como estudiosos de diferentes vertentes acadêmicas, dentre eles a professora-doutora Yêda Pessoa de Castro, que é sem dúvida a maior conhecedora das línguas africanas atualmente no Brasil, consultada até mesmo pelos linguistas africanos e do Museu da Língua.

Nganga Katuvanjesi lembrou em sua fala, na abertura oficial da Kizoonga Bantu Katatu – Terceira Reunião do Povo Tradicional, que a mesma estava sendo proporcionada e realizada dentro do projeto “São Paulo Contra o Racismo”, implementado e desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo graças aos esforços e a emenda parlamentar da marcante e atuante deputada estadual Leci Brandão, que tanto tem se empenhado com afinco e especial interesse na erradicação do racismo, discriminação racial, combate ao preconceito e intolerância religiosa.

Seu mandato tem se pautado na busca da proteção e amparo de grupos que vivem em estado de segregação, enfatizando que a luta da Parlamentar do PC do B de São Paulo configura verdadeira preocupação na revitalização histórica dos aportes culturais dos africanos e seus descendentes, revalorizando as tradições transplantadas do além-atlântico. Verdadeiro legado africano recriado em terras brasileiras.

A presidente do Conselho de Ministros do Ilabantu/Nzo TumbansiKoota Kitamazi N’ganga, a médica Eunice Bernardes recebeu a todos em nome da casa tradicional de matriz Bantu.

Em seguida foram entregues o título de Grande Benemérito da Cultura Tradicional Bantu a Raimundo Nonato da Silva –Taata Lubitu Konmannanjy, presidente da Acbantu e representante da família tradicional congo-angola Mariquinha Lembá; à deputada Leci Brandão, representada pela sua assessora parlamentar Damaze Lima; ao prefeito Chuvisco; ao professor Clóvis Pinto; ao presidente da Câmara Municipal de Itapecerica da Serra, vereador Cicero Costa; à ministra chefe da Seppir, Luiza Bairros; à secretária de comunidades tradicionais da Seppir, professora Silvany Euclênio; entre outros não menos importantes.

Vários representantes de instâncias governamentais demonstraram apoio à iniciativa do Ilabantu, dentre os quais, o professor Clóvis Pinto, chefe de Gabinete do Prefeito de Itapecerica da Serra, que representou o chefe do executivo municipal Itapecericano, e Edson Innocêncio, assessor da Coordenadoria de Políticas para População Negra e Indígena da Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo, que representou a coordenadora, professora Elisa Lucas Rodrigues.

A diretoria do Ilabantu recebeu a todos com felicidades e acolhimento digno de nossa ancestralidade. Dentre estes destacamos a presença de autoridades do mundo político, tradicional e social, a exemplo do Taata Pokó Giamba, de Taubaté/SP; o casal Neide Sabino, educadora, e Oga-agba Gilberto d`Esú, da Septima Ilê Ase Jikú Jikú, organização tradicional de candomblé sediada em Guarulhos; a Makoota Diavulangongo – Kely Lessa Oliveira, do Tumbenci; o Oga Lumeno d`Sàngò, assessor e representante do prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida do PT; Taata Nzazi Ankembu, supervisor administrativo e representante do prefeito Sergio Ribeiro de Carapicuíba do PT; Dênis e Fernando, respectivamente presidente e vice-presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Itapecerica da Serra; Oloyê e jornalista Cosme Felix, diretor-editor do jornal Tribuna Afro Brasileira e presidente da Ordem das Entidades Afro Brasileiras (OEAB); Ìyà Muriadan e filhos; Taata Kisaneji – Tiago Nascimento, representante do Ilabantu/Nzo Tumbansi no Rio de Janeiro; Taata Mungangaiami – Michel Alexandre Soares, de Curitiba; professora-mestra Lídia Ozório, da Universidade Federal de Itajubá e vice-presidente do Conselho Municipal de Política de Promoção da Igualdade Racial de São Lourenço, no circuito das águas sul-mineira; além de diversas e variadas personalidades do mundo acadêmico, educacional, político e tradicional.

Outras instituições de defesa e promoção da cultura africana se fizeram representar, dentre as quais a Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, ACBANTU, na figura de seu idealizador e presidente, Raimundo Nonato da Silva – Taata Lubitu Konmannanjy, que brindou a todos com sua palestra que aclarou as lembranças dos ensinamentos tradicionais da nação bantu.

Ainda no campo tradicional, o Taata Tauá, Joselito Evaristo da Conceição do Bate Folha e presidente da COBANTU, expos sobre as cantigas e preceitos acerca das folhas, ocasião na qual, com atitude respeitosa, pediu à Nengwa kwa Nkisi Lembamuxi que demonstrasse a dança do Nkisi Nlemba, momento em que o Mabaia (salão) foi contagiado por grande emoção e reverência.

Tivemos ainda importantes contribuições da Mestre-Arqueóloga, Patrícia Carvalho Marinho, que muito esclareceu sobre o projeto que está desenvolvendo para um doutorado baseado nas comunidades tradicionais de matriz africana e quilombolas. Concluindo o evento, a jornalista e educadora Liliane Braga em parceria com o Taata Mutadiamy, professor Mauricio Ferreira dos Santos do Instituto Mwana Nzambe, promoveram uma ampla reflexão sobre os 10 anos da Lei 10.639 e a contribuição da matriz bantu no combate ao racismo e discriminação racial.

O encontro também proporcionou a todos uma refeição tipicamente afro-brasileira, preparada segundo as tradições da casa que sediou este evento, momento em que todos puderam trocar impressões e celebrar a ancestralidade.

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