Kizoomba de abertura do calendário festivo tradicional reúne povo-de-santo e personalidades de diversas áreas em louvor aos Bankisi

Itapecerica da Serra/SP – Foi com o espaço lotado que o Nzo Tumbansi abriu seu calendário festivo tradicional anual na noite do último sábado, 23 de janeiro de 2016.

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Pais, mães, filhos(as) de santo e simpatizantes das diferentes religiões de matriz africana reuniram-se, ao lado de personalidades dos meios político, acadêmico e dos povos de comunidades tradicionais de matriz africana para louvar os Bankisi (divindades dos bakongo), que ficaram conhecidos no Brasil e na América Latina como os Congo-Angola em noite que também celebrou os sete anos de iniciação e reafricanização de mãe Selma de Kaiongo, confirmação do Taata MuxikiN`goma Anderson Garcia, de Nkosi bem assim comemoração de aniversário de iniciação da Maganza Maria Firmino, de Hongolo, professora e historiadora de africanidades em Juazeiro do Norte, região do Cariri cearense; Uilian Tadeu Vendramin, jornalista e diretor de comunicação social, imprensa e divulgação do ILABANTU/Nzo Tumbansi, de Nlemba (Keza dia Nzaambi); e Liliane Pereira Braga, de Uambulu Nsema (Ndembwemi dia Nzaambi), doutoranda em História Social – PUC/SP, pesquisadora associada CECAFRO – Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora, membro da Caribbean Philosophical Association (Associação Filosófica Caribenha), formadora em Educação para as Relações Étnico raciais – SME/S, além da iniciação do muzenza Mauro de Nlemba.

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Entre os convidados da Kizoomba estiveram a doné Lourdes T´Gum, da Nação Jeje, que recebeu a comenda Olorum Eledá, concedida pela Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro (Fenacab); o vereador paulistano Toninho Véspoli, do PSOL, e o professor de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Vagner Gonçalves da Silva, acompanhado de pesquisadores da Alemanha e dos Estados Unidos, além de alunos da Universidade de São Paulo.

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Após abertura da Kizoomba com a oferenda a Njila, Taata Nkisi Katuvanjesi saudou a todos e a todas, exortando as pessoas presentes para o combate ao racismo e à intolerância religiosa. “O momento é de atenção, em meio a ataques como os que vem acontecendo sistematicamente contra os povos e comunidades tradicionais de matriz africana, frequentes crimes de racismo e intolerância correlatas”, alertou Katuvanjesi, fazendo referências as ações empreendidas pelo ILABANTU/Nzo Tumbansi, as mais recentes: Terceiro ECOBANTU – Encontro Internacional das Tradições Bantu no Brasil, realizado em outubro do ano passado na sala Olido, centro de São Paulo, e que discutiu garantia de direitos, preservação e manutenção das tradições africanas como parte dos valores civilizatórios, recepção a Consulesa Geral da França, Alexandra Loras, que discutiu no terreiro a questão do racismo e discriminação racial, entre outras atividades.

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Saindo do discurso e partindo para a ação, Taata Katuvanjesi deu a palavra a Toninho Véspoli e a Vagner Gonçalves da Silva para que cada um falasse de propostas que estão encampando em suas áreas e que visam fazer reparação ao racismo e às injustiças históricas sofridas pelo “povo-de-santo”. Véspoli falou do projeto de lei que prevê a alteração do nome da rua Ruiva para rua Mãe Manaundê em homenagem à saudosa fundadora da primeira casa de Candomblé Angola de São Paulo, o terreiro de Santa Bárbara, no bairro de Vila Brasilândia, zona norte da Capital paulista, pleiteado pelo ILABANTU/Nzo Tumbansi (veja matéria a respeito em http://inzotumbansi.org/home/fundadora-de-primeiro-terreiro-de-candomble-paulistano-tera-nome-de-rua-em-sao-paulo/).

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Já o professor Vagner falou da aliança histórica entre religiões de matriz africana e academia, existente “para o bem e para o mal” nas palavras do Academicista da mais importante Universidade da américa latina, a USP. Mas segundo quem o momento é de benefício mútuo nessa aliança. Ele mencionou o projeto de tombamento do Nzo Tumbansi, preparado por ele e um grupo de pesquisadores(as), como um exemplo. “A proposta de tombamento do terreiro de Candomblé de Santa Barbara da qual o Taata Katuvanjesi é um dos autores foi apresentada em 1994.

Recentemente, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) incluiu parte do território do referido terreiro no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos. A proposta de registro como Patrimônio Imaterial ainda está em análise tanto pelo IPHAN como pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). Isso mostra como o trâmite é moroso e como a contribuição da academia é apenas uma parte do processo”, afirmou o professor.

Tal qual o trabalho acadêmico, as falas que tomaram lugar na Kizoomba também configuram apenas uma parte da narrativa. Por mais de cinco horas os Bankisi foram reverenciados, em noite marcada pelos 18 anos de iniciação de Alzira dos Santos, Koota Katulondiamaza, a baiana de Gongogi, carinhosamente conhecida por todos como Mãe Nega. Junto de suas atribuições na cozinha sagrada do Nzo Tumbansi, Koota Katulondiamaza é também mãe criadeira de mais de uma dezena de iniciados(as) do terreiro fundado em 22 de setembro de 1985 na cidade de Ipiaú, Território Médio Rio das Contas, sul da Bahia e transferido para São Paulo, patronado pelo Nkisi Kavungu, divindade tutelar do Nganga.

Foi conduzido por Mam’etu Nzumba, divindade que conhece os segredos da vida e da morte, Nkisi de Mãe Nega, que Taata Muxiki-N’goma Anderson foi apresentado ao barracão na memorável noite de abertura do calendário festivo do Nzo Tumbansi na presença de lideranças do candomblé de angola nas suas várias nações, destacando-se autoridades tradicionais da Bahia, Minas Gerais, Brasília. Os povos de terreiros do Rio de Janeiro foi representado pelos Taata Kilondiri e Kiluanji, respectivamente Pai Marcos de Nkosi e Geraldo de Oliveira de Nlemba, do Nzo Mundele Ia Nkosi Anga Nlemba, sediado em Itaipuaçú, região de Niterói, Grande Rio.

Liliane Pereira Braga, de Uambulu Nsema (Ndembwemi dia Nzaambi)

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  1. 30th janeiro 2016 | MARIA FIRMINO says:
    ESTOU MTO FELIZ POR TER SIDO ACOLHIDA NESTE INZO C TANTO COMPROMISSO E SERIEDADE NO Q SE PRETENDE ENQUANTO RELIGIÃO E TER DADO MINHA OBRIGAÇÃO DE 1 ANO ...A FESTA FOI LINDA .

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