Kizoomba marcou encontro de religiosos da tradição afro brasileira no Nzo Tumbansi

Itapecerica da Serra/SP – A Kizomba de abertura do ano litúrgico do Terreiro de candomblé Nzo Tumbansi, sediado a Estrada Armando Sales, 5205, bairro Recreio Campestre, em Itapecerica da Serra, região metropolitana sul da Grande São Paulo, ocorrida dia 19 de janeiro de 2013, foi mais uma realização de grande beleza e significado daquela casa de culto cuja raiz é a lendária Maria Neném.

Após vários dias de exaustivo trabalho, enfrentando o calor e as chuvas que caem nesta época do ano em Itapecerica da Serra, as filhas e filhos de santo do Nzo Tumbansi prepararam o Terreiro, nome pelo o qual é conhecido populescamente o espaço sagrado de culto aos ancestrais e antepassados, com todo rigor, para receber o grande público que lotou as suas dependências.

O culto foi de grande força religiosa e marcou o encontro de diversos representantes religiosos da tradição afro-brasileira, dos quais se pode destacar a presença de Taata Kambandu Njimbidi Kisaneji – Tiago Pixote Nascimento, de Katende, procedente de Xerém, Duque de Caxias, baixada fluminense, Rio de Janeiro; Kitala dia Ngunzu – Fabiano Magalhães, de Mutaloombo; Taata Kambandu Kiadilunji – Everton Cruz, de Kingongo; Kekere Awo Ifagboala Esu; babá William, de Diadema e vários outros seguidores e vivenciandos das tradições ketu e jeje.

Os Bankisi, mais uma vez demonstraram a misericórdia de Nzambi Mpungu (Deus todo-poderoso) atendendo aos chamados de seus filhos mostrando a presença da ancestralidade e renovando a força de todos.

Destaque especial merece a saída da obrigação de duas novas Sacerdotisas, respectivamente, Ndanjiale – Dandara, de Kuk’etu; e Nganga Lombeji – Hilda Justino, de Nlemba; confirmação da Makota Nlundi, Daniela de Uambulu Nsena, Kituminu do Taata Kambandu Gledistone de Nlemba; e do maganza Arthur Brito, de Nzaazi, entre outros.

Os Bankisi, plural de nkisi/mukixi, emocionaram a todos pela força e pureza de sua dança sagrada, também a intensidade do maganza de Nzaazi e do nkisi Kuk’etu da pequena Dandara, que foi logo observada pelos presentes, quando surgiram os comentários de que se tratava da mais nova Sacerdotisa do Brasil, dada sua pouca idade de vida (com 11 anos de iniciada no candomblé congo-angola).

No início dos rituais da noite o Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno brindou os presentes com importantes esclarecimentos, sobre os ritos da tradição Congo-Angola e sua forma singular de realizar o resgate dessa tradição, e destacou a importância de todas as nações e manifestações afro-brasileiras, convocando todos a defenderem tanto os direitos de liberdade de culto quanto o respeito integral a seus ritos e culturas.

Estiveram presentes vários representantes de terreiro e pessoas que se interessam pelas tradições bem como uma assistência diversificada de familiares dos iniciados e da comunidade local e também pessoas que vieram de vários estados brasileiros para a celebração, a exemplo da professora e mestra em educação étnico-racial, Lidia Ozório, da Universidade Federal de Itajubá/MG e membro da diretoria do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Lourenço, no circuito das águas mineiro; o sociólogo Deivison Nkosi, diretor do Departamento de Politicas de Promoção da Igualdade Racial do ILABANTU; a Koota Kitamazi Nganga, a médica Eunice Retroz Bernardes, de Mutaloombo, presidente do Conselho de Ministros do Nzo Tumbansi e entre outros não menos importantes.

Ao final da Kizoomba, os visitantes, convidados, filhas e filhos de santo do Nganga Nkisi Katuvanjesi foram oferecidos o tradicional Ngidiá (Comidas) e todos fizeram questão de saborear pratos da iguaria afros baiana, com xinxim de galinha, caruru, vatapá e arroz branco, acompanhado de bebidas comuns.

por Assessoria de Imprensa do Ilabantu/Nzo Tumbansi

Taata Kambandu Njimbidi Kisaneji – Tiago Pixote Nascimento, de Katende

 

Professora Lidia Ozório, sociólogo Deivison Nkosi, Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi e o ativista do movimento negro, João Bosco, do Instituto Luiz Gama

 

Taata Katuvanjesi abrindo o Calendário Festivo e Tradicional do Nzo Tumbansi

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