Mais de 400 anos de espera, descendentes dos Bantu no Brasil conheceu sua Monarca

Diambi Kabatusuila coroou Taáta Katuvanjesi e designou seu Representante para América Latina

Eram exatamente às 13h50 do dia 12 de março, uma terça-feira, quando a aeronave E95 do vôo AD 9000 que teve origem no Aeroporto Galeão, Rio de Janeiro, da Azul Linhas Aéreas pousou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, há 98 km da Capital paulista, a bordo entre os passageiros daquele vôo, uma Soberana, a visita tão esperada por mais de 400 anos. Os descendentes de africanos bantu respiram aliviados, pois neste dia pisa em terras paulistanas Sua Majestade Rainha Diambi Kabatusuila que é uma importante representante do povo Bena, da região central de Kassai na República Democrática do Congo, coroada como governante do povo Bena em agosto de 2016. Agora detém o título de Diambi Mukalenga Mukaji Wa Nkashama (Rainha da Ordem do Leopardo). Em Kinshasa, capital e maior cidade daquele país da África central, fazendo parte da Associação de Autoridades Tradicionais e Consuetudinárias.

Sua Majestade sendo traslada no Aeroporto de Viracopos para
os veículo executivo que a transportará a Itapecerica da Serra

Com maestria, Taáta Katuvanjesi (Walmir Damasceno) e toda sua equipe de Assessores (Relações Internacionais, Imprensa, Divulgação, Conteúdos, Relações Institucionais, Segurança e Apoio), teve direito a acesso a pista e área de desembarque, recebeu a Monarca africana bantu e sua comitiva dirigindo-se para recepção na sala de autoridades do Aeroporto de Viracopos, reservada por solicitação do ILABANTU / Nzo Tumbansi.

Neste local sua Majestade recebeu as boas vindas do anfitrião, Taata Katuvanjesi (Walmir Damasceno) fez questão de saudar a Soberana em Lingala, língua segundo o professor Isaias Ngola Kasule, nasce da fusão entre o Tchilumba e o Swahili. Swahili é a mais falada de África, adaptada pela União Africana como língua de comunicação desde a República Democrática do Congo, Tanzânia, Zimbabwe e outros. Tchilumba é falado na República Democrática do Congo e leste de Angola. Língua oficial do povo Baluba. Katuvanjesi esteva acompanhado da coordenadora regional nordeste do ILABANTU, Kota Sualankala, professora e historiadora Ana Amélia Santos Cardoso, do Terreiro do Bate Folha (Salvador); Maganza Nsangalunga, Carla Cruz, coordenadora de imagens e conteúdos do ILABANTU Nzo Tumbansi; Pai Jeferson Virmondes, presidente da Associação de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana Katina da Silva; cineasta Sidney Paixão, da Nzila Filmes; Fernando Oliveira, ativista do movimento negro.

Sua Majestade, Diambi Kabatusuila e Taáta Katuvanjesi na
sala de autoridades do Aeroporto de Viracopos, Campinas/SP

A Rainha é a primeira líder da etnia Bantu Bena Tshiyamba de Bakwa Indu a visitar o Brasil. Ela realizou diversos encontros com brasileiros, começando por Salvador onde desembarcou dia 27 de fevereiro e seguindo para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e finalizou a viagem ao visitar São Paulo, prestigiando a cidade de Itapecerica da Serra.

Após os cumprimentos protocolares a comitiva oficial da realeza bantu integrada por April Robbins Bobyn (princesa e braço direito da Rainha), o pan-africanista angolano radicado em Londres, Alfa Kuabo, Peter Lindo, Kevin Emmanuel Rowe, Michael Ellis Shaun, Terry Ola Riggs, Anthonica Simone Thomas Dumont, em cortejo, fez traslado para Itapecerica da Serra, região metropolitana sul da Grande São Paulo. Na entrada principal da cidade, acesso 284 da Rodovia Federal Régis Bittencourt, Batedores da Guarda Municipal (GCM) aguardavam a comitiva e fizeram a escolta percorrendo o roteiro passando pela região central da cidade despertando a atenção de populares e munícipes até chegar no Complexo Administrativo, sede da Prefeitura Municipal. No Gabinete foi recebida pelo Prefeito Jorge Costa, secretários, servidores. Após a calorosa recepção e troca de impressões e experiências com o líder político Jorge Costa, a Rainha Diambi Kabatusuila foi para a suíte número 7 do luxuoso Paraiso L`aren Hotel e Eventos, no bairro Embu-Mirim, Itapecerica da Serra, para um rápido descanso.

Sua Majestade em bate papo descontraído com
o Prefeito de Itapecerica da Serra, Jorge Costa

A Câmara Municipal fez festa em sua 5ª sessão ordinária para receber a Rainha Diambi. Os presentes no Plenário David Farah e aqueles que assistiam pela internet puderam ouvir o discurso da representante Bantu, que compartilhou com todos não só a questão histórica, de vinda destes povos para o Brasil, mas o valor e grande contribuição dos africanos na formação da sociedade brasileira e latino-americana. Diambi Kabatusuila enfatizou a importância de conhecermos a nossa ancestralidade, encerrando o seu pronunciamento lembrando que a África não está do outro lado do oceano, mas está aqui, em todos nós.

O Presidente da Câmara Municipal Marcio Roberto juntamente com o Vice-Presidente Zecas, autor do pedido da moção, e em nome de todos os vereadores presenteou a Rainha com Flores e Moção de Aplausos e Congratulações, e em retribuição a Rainha presenteou o Presidente em nome de todos os vereadores com uma faixa que traz consigo as cores da bandeira do Congo e simboliza a união de sua visita ao Brasil, e também uma pulseira feita artesanalmente pelo povo Bena, na qual o Presidente da casa Pastor Marcio Roberto decidiu passar a direção para que seja patrimônio da casa de leis e venha eternizar esta visita na qual simboliza o respeito entre povos.

O momento esperado para o grande ritual espiritual no Nzo Tumbansi ILABANTU

Passavam das 21h00 quando o cortejo real deixou a Câmara Municipal de Itapecerica da Serra rumo ao Recreio Campestre, no sentido ao bairro Capão Redondo. Na Rodovia Armando Salles, 5205, centenas de pessoas, entre líderes de povos e comunidades tradicionais de matriz africanas e de terreiros, movimentos sociais, artísticos, representantes da academia intelectual e populares em geral aguardavam a Monarca bantu. Os cinco veículos executivos sob a escolta de batedores da GCM finalmente estacionaram em frente ao Nzo Tumbansi, terreiro de candomblé de tradição Kongo Angola.

Neste local numeroso público aguardava a Soberana, as pessoas se apertavam a fim de encontrar um melhor ângulo para assistir à entrada triunfal de sua Majestade Diambi Kabatusuila. Ao desembarcar, na entrada principal de acesso ao Terreiro e cumprindo formalidades, foi realizado o primeiro ritual tradicional, a princesa April Robbins Bobyn fez oferta de Makaso (Kezo/Obi), breve consulta aos ancestrais, água em uma quartinha de barro foi espalhada e somente após as respostas positivas a visitante pôde adentrar ao solo sagrado de Tat’etu Ngana Kavungu, Nkisi tutelar de Taáta Katuvanjesi. Cânticos melódicos foram entoados pelo líder do Nzo Tumbansi ILABANTU, os Atabaques ressoam, a Realeza e comitiva começa a descer os degraus das escadas do Terreiro, visitou os espaços sagrados, reverenciou Kitembu (Ndembwa/Tempo), pediu benção e acolhimento. Na porta de entrada que dá acesso ao salão de práticas tradicionais (culto) Twenda Dya Nzambi, uma homenagem a fundadora da Ndanji Tumbenci, Maria Neném, a Soberana descerra uma placa e ao ver gravada sua imagem fica visivelmente emocionada, com os olhos lagrimejando, com a voz embargada, diz que não esperava por tão significativa homenagem. Tapete vermelho aberto, a Nobreza Africana adentra na área interna do Nzo Tumbansi, o público em torno de 500 pessoas, vibra, batem palmas, se emocionam e Diambi, aquela Mãe que vem ao reencontro dos seus filhos, fez questão de abraçar e beijar, ficar perto, dividir seu carinho e afeto.

Palavras do Taáta Katuvanjesi a Majestade e público presente

Do Púlpito, uma plataforma elevada utilizada por oradores, Taáta Kwa Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno), saudou as delegações que se fizeram presentes, Mam`etu Dango com mais de 30 pessoas entre membros e integrantes da Nzo Musambu Hongolo Menha(Hortolândia/SP); Kota Sualankala, professora e historiadora Ana Amélia Santos Cardoso, do centenário Terreiro do Bate Folha, Salvador/Bahia; Mam`etu Oya Sivanju, Kilombo uá Dilenga Sivanjú, bairro Parada Inglesa, zona norte de São Paulo; Taáta Nkasumbire, Abaçá Nkasuté Lemba Nzambi Ke Amazi, distrito de Padre Nóbrega, Marília/SP; Mãe Marilda de Iansã, Fraternidade Espirita de Umbanda Pai João da Caridade; Mam`etu Luangoiasi, professora Anajete Coelho, Taáta Obasilê, professor Helder Edino Coelho, do Terreiro Nzo Nguzu Nganga Kiluminu Nkisi Nzazi, bairro Planeta, Cariacica,Vitória/ES; Mam`etu Kutala Diamuganga, Katia Luciana Sampaio, do Abassá Oxum e Oxóssi, Cangaiba, zona leste de São Paulo; o casal, Bàbá Odessi e Kota Jafurama, Bárbara Costa, Nzo Kewanvula, Tumba Junsara(Bahia); Maganza Kindanda Mukwanzu, Elaine Passos, Nzo Tumbansi Kwa Ndanda-Nlunda ye Nkosi, Guarujá/SP; Taáta Jibacile, Centro Cultural Inzo Nkosi , Campo Limpo Paulista/SP; Taáta Tundanji, Wilson Neiva, Nzo Musambu Mutakalambo, Itapevi/SP; Pai Jeferson de Nkosi, Associação de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana Katina da Silva, São Paulo/SP; e outras centenas de não menos importantes lideranças de terreiros que lotaram as dependências do Nzo Tumbansi.

Ao saudar a Majestade, Taáta Kwa Nkisi Katuvanjesi, se disse tomado pelo espirito da emoção por estar recebendo em seu Terreiro de candomblé uma alta representação da ancestralidade e da espiritualidade bantu-kongo, e quem não participou deste momento perdeu a grande oportunidade de se reconectar à história mais sublime do legado africano transplantado do além atlântico para o Brasil. “Estou feliz por ter participado desse projeto que proporcionou a vinda da Rainha Diambi, um fato histórico, mais de 400 anos de espera, a primeira visita de uma monarca bantu”, sublinhou Katuvanjesi.

Com uma mensagem de otimismo e encorajamento, a rainha Diambi Kabatusuila Mukalenga Mukaji de Nkashama, da República Democrática do Congo, discursou durante mais de meia hora, no Nzo Tumbansi. Diambi Kabatusuila, que pertence à Ordem do Leopardo, já passou por Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. “Eu desafio esse país a trabalhar com sua máxima potencialidade, porque vocês são um dos países mais poderosos do mundo, especialmente por causa da diversidade”, disse a rainha.

Finalizada as falas, seguiu-se para uma cerimônia festiva e tradicional, em dado momento o evento foi interrompido, Diambi Kabatusuila se recolheu a um espaço privado do Terreiro e logo depois retornou incorporada com seu Ancestral, paramentado com traje ritual, insígnias e indumentárias característicos só usada em grande culto na sua Aldeia na República Democrática do Congo, momento de alta espiritualidade. Sua energia invadiu todo o terreiro e desde os mais novos até os mais velhos dos ali presentes foram tomados por seus ancestrais. Após realizada a celebração espiritual, ao voltarem a si, todos se disseram emocionados com tamanha força, energia e encantamento do ancestral da Rainha.

Fez-se uma pausa e em seguida iniciou-se outro dos mais esperados momentos da noite, a coroação. Taáta Kwa Nkisi Katuvanjesi presenteou a Majestade com uma coroa feita com madeira, búzios e palha e a Rainha Diambi fez o mesmo, ofereceu uma coroa feita em África, uma vestimenta real tradicional e com uma coroa semelhante à dela, Taáta Katuvanjesi, agora Ntinu e Representante da Rainha para o Brasil e América latina. Foi um momento de grande emoção! Rainha Diambi ainda explicou como assumiu o trono. Ela diz ser o que se conhece na África como Rei Mulher, ou seja, uma mulher que se tornou rainha por herdar a coroa e neste caso, ela herdou de seu avô, já que seu pai abdicou. Após sua fala, houve uma pausa para mais uma troca de presentes, momento em que ela entregou uma pulseira Bena com um coração simbolizando o coração materno à Mam’etu Sinderewi – Iara Damasceno.

Em seguida, presenteou a todos com um ritual de união das águas. Ela trouxe dois frascos, um contendo águas do grande Rio Congo e o outro com terras congolesas. Tais elementos, unidos numa bacia com mais água simbolizavam a união das águas desse Atlântico que separou os africanos escravizados e trazidos para a América de seus ancestrais que em África ficaram, todos os presentes puderam se abençoar, levar um pouco dessa água sagrada. Finalizando, um jantar tradicional foi oferecido a Soberana e público em gral, e seguiu ao hotel juntamente com sua comitiva e sob a proteção dos Batedores da Guarda Municipal.

Por volta das 13h do dia seguinte, quarta 13, Diambi, a comitiva africana visitou o Museu Afro Brasil, localizado no Parque Ibirapuera na Avenida Pedro Álvares Cabral – Portão 2. Foram recebidos e guiados por um passeio a fim de conhecer e reconhecer elementos que compuseram e construíram toda a cultura, linguagem e religiosidade afro brasileira. Saíram de lá diretamente para conhecer a estátua da Mãe Preta e a Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Largo do Paissandú, centro de São Paulo. Outra recepção calorosa por parte de membro e integrantes, do Rei e Rainha Congo e do Padre José Enes de Jesus, coordenador da Pastoral Afro Descendentes Arquidiocesano de São Paulo. Tanto a Rainha como agora o Rei e Taáta Kwa Nkisi Katuvanjesi tiveram uma fala que registrou a importância da presença de todos ali. Diambi fez na Igreja o mesmo ritual de união das águas e terras e o Padre jogou aquela água benta nos fiéis, todos foram tomados pela emoção pela alegria com as rezas, além claro de encantados com tamanha afetividade da Rainha que fez questão de abraçar a todos.

Eram 18h30 quando o cortejo real chega na Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jacareí, 100, bairro Bela Vista, região central da maior capital da América latina e quarta maior do mundo. O Auditório Embaixador Sérgio Vieira de Melo no primeiro subsolo já estava preparado para a recepção, personalidades e lideranças tradicionais de terreiros chegando e se acomodando. Compondo a mesa, Netto Duarte do PSOL, assessor e do Mandato Popular do Vereador Toninho, o próprio vereador, professor Toninho Vespoli, autor da propositura, a primeira deputada transexual do Brasil, Érica Malunguinho, Taáta Kwa Nkisi Katuvanjesi e Rainha Diambi Kabatusuila. Tanto o Vereador Toninho Vespoli – PSOL, como Erica Malunguinho, destacaram seus objetivos de luta enquanto representantes políticos e Erica principalmente por ser a primeira Deputada Transexual, negra e nordestina.

Durante o evento, Zaine Assaf, diretora de relações públicas da ACLASP – Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo recebeu das mãos da Rainha Diambi, título de Grande Benemérita da Cultura Tradicional Bantu Brasileira, como forma de reconhecimento do ILABANTU pela atuação da acadêmica na revalorização das culturas africanas. Por sua vez, Assaf conferiu a Soberana Diploma de Excelência Negra concedido pela ACLASP, assim como Erica Malunguinho também presenteou a Rainha com um título de honraria. Para finalizar a noite, aconteceu uma apresentação de Samba de Roda comandado pela baiana Dulcineia Cardoso, a Nega Duda, do qual Diambi, quebrando o protocolo, caiu no samba, “Vivi para sambar com uma Rainha”, afirmou Nega Duda. Após sessão de fotos com os presentes, foi oferecido a Majestade e toda sua comitiva um lauto jantar em restaurante localizado na Avenida Rebouças, região dos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

Visita a cidade de Santos, litoral sul paulista

Dia 14 de março logo pela manhã foi a vez de visita a Santos, maior cidade do litoral sul paulista. Recepcionada no Paço Municipal por autoridades e representantes do movimento negro, ela distribuiu abraços e sorrisos. Ao chegar ao salão Nobre Esmeraldo Tarquínio, foi saudada pelo vice-prefeito Sandoval Soares. Em sua mensagem, Diambi disse que se solidariza com as mortes dos estudantes em Suzano (SP), além das vítimas de enchentes em São Paulo e também por Brumadinho. “Essas tragédias podem nos lembrar de quanto a nossa vida é frágil. Quero transmitir ao povo brasileiro minhas condolências. Estou aqui para compartilhar essa dor”.

Uma breve visita ao Museu Pelé e apresentação de Capoeira fez parte da visita a baixada santista, almoço na antiga e histórica Estação Bistrô Restaurante Escola. Finalizando a vista na praia do Gonzaga, momento em que a Rainha adentra ao mar, juntamente com a Princesa Appril Bobbyn, Taáta Katuvanjesi e Kota Sualankala para reverência e agradecimento aos ancestrais que permitiram tal visita. Retornando à Capital, fez uma breve parada no hotel e seguiu direto para a UNIFACCAMP – Centro Universitário Campo Limpo Paulista, região de Jundiaí, é recebida em auditório lotado, corpo docente, discentes e lideranças tradicionais de terreiros.

Para o último dia, 15 de março, recepção no Palácio dos Bandeirantes sede do Governo estadual paulista. O embaixador Affonso Massot, secretário de relações internacionais recebeu a soberana em nome do Governador João Dória, trocaram impressões por mais de uma hora. Do bairro do Morumbi a comitiva seguiu para o último compromisso público, visita a cidade de Osasco, sendo recebida na sede do Diário da Região, cujo anfitrião foi o Diretor Vhreji Sanazar, juntamente com o prefeito Rogério Lins e o empresário de comunicação Euds Ricardo, diretor da ConecTv (emissora de TV no Brasil e Portugal). A Rainha assistiu a uma apresentação de dança, troca de presentes e almoço. Diambi concedeu entrevista a ConcTv falando sobre qual intuito de sua visita oficial ao Brasil.

Em sua fala, Diambi discorre sobre sua vinda ao Brasil ser motivada por identificar que a História tem sido contada apenas pela perspectiva errônea do colonizador. É preciso ser contado o outro lado da história. Uma das suas afirmações mais faladas é que há a necessidade de se entender que os negros não são descendentes de escravos, mas sim de reis, rainhas e indivíduos detentores de grande sabedoria, capazes de produzir/elaborar sistemas tecnológicos, inventores da matemática e ainda diz “se a matemática era um brinquedo de crianças, imaginem o que um adulto estava fazendo?”. Ela ainda alerta que os afrodescendentes que aqui moram precisam se reconhecer enquanto comunidade. Em África, entende-se que homens e mulheres tem papéis diferentes dentro da comunidade, mas são iguais, a força física do homem não é elemento norteador de poder. Há esse equilíbrio.

Por fim, a visita da Rainha Diambi Kabatusuila ao Brasil foi de extrema importância como já dito inicialmente por ter como simbologia maior o encontro da Mãe com seus filhos, uma vez que ela veio não apenas apresentar uma história pouco contada, mas também conhecer a história do que aqui ficaram. Sua comitiva, por terem um destino final diferente da Rainha (que foi para uma Conferência de Mulheres em New York, nos Estados Unidos) já haviam embarcado em seus respectivos vôos e sendo assim, o anfitrião, Taáta Katuvanjesi acompanhou a Majestade até a entrada do embarque, no Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos.

As fotografias ficarão disponíveis na página do Inzo Tumbansi – ILABANTU, assim como link das reportagens e vídeos já estão disponíveis na mesma plataforma.

Texto: Ascom Nzo Tumbansi ILABANTU
Fotos e Imagens: Nsangalunga (Carla Cruz), Keza Dya Nzambi (Uilian Vendramin), Nzila Filmes (Sidnei Paixão)

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