Ouvidor das Policias e Nafro PM-Bahia vai a Terreiro paulista dialogar sobre racismo religioso

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No último domingo, 24 de janeiro – Dia Mundial das Culturas Africanas e dos Afrodescendentes, o Inzo Tumbansi recebeu em Almoço Tradicional a comitiva do Núcleo de Religiões da Policia Militar do Estado da Bahia(Nafro-PM-Bahia), integrada pelas oficiais da polícia militar baiana, Capitã Thaís Ramos Trindade, Capitã Elma Pimentel do Carmo, Capitão Jalba Santiago dos Santos Segundo, Capitão Silvio Conceição do Rosário. Este encontro, o primeiro realizado em um Terreiro de candomblé, foi intermediado pelo ouvidor geral das Polícias de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, que tem implementado na Ouvidoria câmaras temáticas, visando discutir no âmbito das Polícias Militar, Civil e Técnica, questões como diversidade étnica, racial e religiosa em parceria com a diretoria de polícia comunitária e de direitos humanos da PM paulista, ação articulada pelo Baba Mário Filho, coronel da Polícia Militar, contou com a participação do representante da corporação, tenente-coronel PM, Evanílson Corrêa de Souza, este encarregado de rever o manual de Direitos Humanos da corporação para, como ele mesmo diz, “contribuir para a desestruturação do racismo estrutural”.
Depois de destacar o papel da Ouvidoria das Polícias de São Paulo, Elizeu Soares Lopes disse que “combater o racismo institucional nas forças de segurança é um enorme desafio no Brasil. A Polícia Militar da Bahia possui um núcleo dedicado a esse assunto. É o Nafro (Núcleo de Religião de Matriz Africana), que faz a promoção da diversidade racial e religiosa dentro da corporação”. Para Elizeu Soares Lopes, a promoção da diversidade racial na área de segurança é necessária e urgente, pois o racismo institucional enraizado na sociedade brasileira também se reflete, muitas vezes, nas ações das polícias. A Ouvidoria da Polícia de São Paulo tem atuado na busca por soluções que possam promover o enfrentamento do racismo institucional pelas forças de segurança do Estado. Por isso, a Ouvidoria convidou integrantes do Nafro/BA para uma visita institucional à Polícia Militar de São Paulo. O objetivo é a troca de experiências entre as duas polícias de maneira a ampliar o debate na Polícia Militar paulista sobre a diversidade racial e, assim, melhorar ainda mais o atendimento à população do Estado.
Anfitrião, Tata Nkisi Katuvanjesi(Walmir Damasceno), líder do Inzo Tumbansi, em Itapecerica da Serra, na grande São Paulo conduziu o evento que contou com a presença de Autoridades Tradicionais de Terreiros, a exemplo de Doné Lourdes T`Gun entre outras lideranças de comunidades tradicionais de matrizes africanas e representantes de instituições governamentais. Destaque especial para a Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Osasco, socióloga Amanda Mariana França. Em sua fala, a titular da Seppir de Osasco destacou “o grande desafio da gestão pública para construção de políticas públicas intersetoriais para promoção da igualdade racial e para superar este desafio Osasco avançou por meio da criação da Secretaria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial. Diante deste cenário temos o intuito de despertar a população para o diálogo, criando espaços participativos para fortalecimento das pautas pertencentes ao posicionamento da população negra e ainda o fortalecimento dos povos e comunidades tradicionais de matriz africanas e de terreiros, como parte intrínseca da história da cultura de nosso país. Destaco ainda o orgulho de ver um projeto tão importante, NAFRO, cujas protagonistas são mulheres, aguerridas e que juntas somaremos força para ocupar nosso lugar de fala”, reafirmou Amanda França.
Por sua vez, Tata Katuvanjesi, apresentou demandas visando instituir mecanismos permanentes de articulação com as policias, visando preparo e formação dos agentes policiais, para que estes possam conhecer os territórios tradicionais de matrizes africanas, histórias do seu legado e sua contribuição na construção e formação social do Brasil, criando-se um vínculo comunitário entre Polícia e Terreiro. Katuvanjesi argumentou que “é comum nas batidas policiais a Terreiros as inúmeras violências sofridas por povos de religiões de matriz africana”. Exemplificou que um leigo, incomodado com o som dos Atabaques (Tambores), inadvertidamente aciona a Polícia; policiais, que são agentes do estado, sem nenhum preparo, adentra nos Terreiros, na maioria das vezes movido pelo racismo religioso, criando situações embaraçosas nos espaços sagrados dos adeptos de umbanda e candomblé, causando cenários de violências. O líder do Terreiro Inzo Tumbansi pugnou pela extensão do diálogo das policias com os povos e comunidades tradicionais, sugerindo a realização de novos encontros em outros Terreiros de São Paulo.

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  1. 26th janeiro 2021 | Waldo Ferreira Souza says:
    Muito importante para tds; parabéns

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