Povos tradicionais de matriz africana lotam Câmara Municipal no lançamento das Águas de São Paulo 2013

São Paulo/SP – A solenidade de abertura do evento Águas de São Paulo 2013 na Câmara Municipal dos Vereadores de São Paulo, o lançamento da 7ª edição de 2013 foi sem dúvida um sucesso na mais importante Casa Legislativa Municipal do País. O evento contou com a participação e presença de lideranças de povos e comunidades tradicionais de matriz africana do município de São Paulo e região metropolitana.

Secretario Municipal de Igualdade Racial de São Paulo, Netinho de Paula e Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi

 

Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno) do ILABANTU/Nzo INZO TUMBANSI, esteve participando junto as demais autoridades tradicionais de povos e comunidades de matriz africana a convite do Ebomi Felipe Brito, de Obaluayê, e entoou vários cânticos em línguas Kikongo e kimbundu em louvor aos Bankisi do candomblé congo-angola, a exemplo de Kavungu, Mutaloombo e Nzaazi, em reverência ao Taata Kilondirá (Joãozinho da Goméia), por ter sido o responsável pela iniciação da saudosa Mam`etu Katesú (d.Isabel), de Kavungu, representada por sua filha carnal, Ìyà Wanda d`Òsùn, do Ìlê Ìyà Mi Òsún Muiwa, homenageada no evento, e entre outros.

O evento foi prestigiado por figuras como o Secretário Municipal de Igualdade Racial do Município de São Paulo, Netinho de Paula (foto, com Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi), a deputada estadual Leci Brandão (PC do B/SP), o ex-ministro do Esporte do Governo Lula e atual vereador na capital paulista, Orlando Silva; o vereador umbandista Laercio Benko; a Representante da Fundação Cultural Palmares no Estado de São Paulo, escritora Cidinha da Silva e entrou outras.

Julião(Unegro), Beto de Oliveira e Taata Katuvanjesi

Julião (Unegro), Beto de Oliveira e Taata Katuvanjesi

 

As águas de São Paulo

Maior movimento religioso de matriz africana de São Paulo busca a liberdade religiosa e a preservação das tradições africanas com manifestação pacífica no Centro da capital paulista. Que acontecerá no próximo sábado, 5 de outubro, com marcha pacífica e apresentações culturais no Vale do Anhangabaú. O objetivo é lutar contra a intolerância religiosa sofrida pelos adeptos dos cultos de matriz africana.

Com apoio da Prefeitura de São Paulo, da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR/SP), da Assessoria de Gênero e Etnias da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e dos gabinetes da Deputada Estadual Leci Brandão e dos Vereadores Orlando Silva e Laércio Benko, o ato público de 2013 terá apresentações gratuitas de música e de dança. Entre elas, um show da cantora Fabiana Cozza, que acaba de gravar um DVD especial em homenagem à Clara Nunes.

Deputada Estadual Leci Brandão (PC do B/SP) e Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi

 

A programação cultural conta também com participação de Carol Aniceto, Chapinha do Samba da Vela, Samba de roda do Pai Tonhão, Mc Lenda ZN, Rose Calixto, Liz Hermann, Arrastão Do Beco e Afoxé Ilê Omo Dada.

O Babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR-RJ), após organizar a sexta edição da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, no Rio de Janeiro, também uniu forças com As Águas de São Paulo e estará presente na manifestação pública.

Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi  e Cidinha da Silva, Representante da Fundação Cultural Palmares em São Paulo

Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi e Cidinha da Silva, Representante da Fundação Cultural Palmares em São Paulo

 

À tarde, todos os presentes se unirão para um cortejo de caráter religioso e, durante o percurso, serão entoados cânticos de louvor à deidade da criação, Oxalá, e para Oxum, divindade do amor e das águas doces. As canções remeterão à criação do universo, segundo a mitologia Yorubá, e levarão a mensagem do clamor pela paz religiosa em São Paulo.

Toda a percussão será realizada pela “bateria d’As Águas de São Paulo” formada por Ilús (tambores específicos para afoxés), com o acompanhamento de xéqueres e agogôs. O final da liturgia será marcado pela lavagem da estátua da Mãe Preta com água de cheiro e depósito de flores brancas no entorno do monumento, no Largo do Paissandu, e a soltura de uma pomba branca simbolizando a paz.

Ìyà Wanda d`Òsún e Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi

Ìyà Wanda d`Òsún e Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi

 

“O monumento Mãe Preta é o símbolo mais marcante da ancestralidade africana em São Paulo e representa as mulheres negras que lutaram e ainda lutam pela manutenção das tradições e da liberdade religiosa”, explica o Babalorisá Ofanire, uma das lideranças do evento. O Movimento tem como objetivo a promoção da cultura de paz, a luta pela igualdade racial e liberdade religiosa como forma de preservação das tradições africanas, além de denunciar atos de preconceito e de vilipêndio a laicidade garantida na Constituição Federal.

O movimento As Águas de São Paulo foi criado com a finalidade de evidenciar a importância do “Dia das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé”, de 30/9, Lei Municipal 14.619/07, por isso no dia 30/9 é celebrado na Câmara Municipal de São Paulo o ato solene que antecede a realização do evento de Rua, que acontecerá dia 5, sábado, das 10 às 19h00, no Vale do Anhangabaú, região central da cidade de São Paulo.

Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi cantando em louvor aos Bankisi na Câmara Municipal de São Paulo

 

Da Redação Kimwanga-Nsangu – Agência de Notícias

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