Taata Katuvanjesi recepciona Ministra da Igualdade Racial e Netinho de Paula

Itapecerica da Serra/SP – Como se previa, a Kizoomba kwa Nkosi, que em língua Kikongo quer dizer celebração festiva em homenagem ao Nkisi Nkosi foi sem dúvida um evento impar, uma vez que na opinião de vários pesquisadores e estudiosos da temática bantu, o Nzo Tumbansi vem reescrevendo a história do candomblé congo-angola e contribuindo em toda América Latina e Caribe na revalorização dos aportes culturais dos africanos e seus descendentes, e é imbuído com essas preocupações que Katuvanjesi, o jornalista Walmir Damasceno, dirigente máximo do tradicional “Nzo Tumbansi” em São Paulo, que recebeu sua consagração de Nganga-Nkisi em 2010 em Cabinda, norte da República de Angola, no sul da África, mais uma vez aponta para a organização e desenvolvimento dos povos de comunidades tradicionais de matriz africana com suas ações politicas de inclusão do grupo no processo de desenvolvimento do país.

Silvany Euclênio, Ministra Luiza Bairros e Pai Paulo d`Ògún

 

“O enfoque prioritário do Ilabantu é a manutenção, preservação e formação de agentes multiplicadores dos saberes e fazeres tradicionais, pensando na preservação e manutenção das heranças dos povos de comunidades de matriz africana em São Paulo.

Daí a importância deste diálogo”, explicou o coordenador municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Walmir Damasceno, que é dirigente tradicional do Nzo Tumbansi Tua Nzaambi Ngana Kavungu, casa de candomblé de matriz congo-angola (bantu), que no sábado, 29 de junho, recebeu a ministra Luiza Bairros e a secretária de Políticas para as Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio, entre as diversas e variadas autoridades políticas, tradicionais, do mundo acadêmico e social, no encontro que reuniu lideranças dos povos de comunidades tradicionais de matriz africana.

Elas tiveram um diálogo na sede do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (Ilabantu/Nzo Tumbansi). A titular da SEPPIR também foi homenageada no evento, que começou às 14h, recebendo o título de Grande Benemérita da Cultura Tradicional Afro Bantu.

Recepção a Ministra Luiza Bairros

Walmir Damasceno, que também é Coordenador de Políticas Públicas de Promoção da Igualdade Racial do Gabinete do Prefeito de Itapecerica da Serra, recebeu na sede do Ilabantu/Nzo Tumbansi, a Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, socióloga Luiza Bairros com sua comitiva composta ainda pela professora Silvany Euclênio, Secretaria de Comunidades Tradicionais da Seppir para o Diálogo de Lideranças das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana de São Paulo, ocasião em que compareceu também o secretário Municipal de Igualdade Racial da cidade de São Paulo, o cantor Netinho de Paula entre outros representantes de diversas cidades paulistas, inclusive da cidade sede do ILABANTU/Nzo Tumbansi, de Itapecerica da Serra, representada pelo professor Clóvis Pinto, chefe de Gabinete do Prefeito Amarildo Gonçalves “Chuvisco”.

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Ao pisar no solo sagrado do Nzo Tumbansi, a Ministra Luiza Bairros fez questão de reverenciar o nkisi Kitembu (Tempo), patrono das tradições congo-angola no Brasil se dizendo feliz e com as energias revitalizadas.

Quem esteve

Taata Katuvanjesi recepcionando a egbomy Conceição d`Ògún

 

A primeira delegação de liderança de comunidade tradicional de matriz africana a chegar ao Nzo Tumbansi foi do Ilé Asé Irepo Araketu integrada por ìyà Vera de Odé e Ogan Dal, em seguida chegou o presidente da OEAB, Cosme Felix, que também é diretor da Tribuna Afro Brasileira, esteve presente e participou em algumas falas que poderão ser vista na Tv Tribuna Afro, pois o mesmo estava registrando o evento, dividindo suas funções.

Na sequencia o Nzo Nkosi Mukulungunzu Ye Kuku’etu, sediado em São Bernardo do Campo, região do ACB paulista foi representado pelos seus dirigentes Taata Kwa Nkisi Nanganzu, de Nkosi, e Koota Dandaleumim; já o Taata Ofaroji e sua comitiva representou a cidade de Embu Guaçú, assim como Babá Alexandre de Ògún, presidente da Afuceia, de Embu das Artes.

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Diversas e variadas autoridades tradicionais fizeram questão de comparecer ao evento, com destaque para o Babá e Radialista Pai Valdir de Oyá, da Rádio Mundial FM/AM esteve acompanhada de sua assessoria e da atriz Nani Venâncio; Antropólogo e Ogan Pedro Neto, de Sangó; egbomy Conceição Reis d`Ògún, coordenadora do Intecab no Estado de São Paulo; egbomy Felipe Brito e Ìyà Rosane de Iansã, representando o Foesp e Águas de São Paulo; Koota Mulanji; Mam`etu Monakaiá (Marisa, de Uberlândia/MG); Taata Kwa Nkisi Axexeré, do Nzo Axexeré Abê Furanga dia Nzaambi, de Juiz de Fora/MG e tantos outros.

Atriz Nani Venâncio e o secretário Netinho de Paula

Kizoomba de Nkosi

No período da noite, a partir das 22h00 aconteceu a Kizoomba Ye Makundê Malunda Kuna Nkosi – Celebração da Festa Tradicional e do Feijão de Nkosi no ILABANTU/Nzo Tumbansi, o evento que pode ser considerada o início do ciclo tradicional anual que celebra os Bankisi foi preparada por toda uma semana de trabalhos internos no NZO, e culminou na noite do sábado quando diversas autoridades do mundo tradicional do candomblé de todas as nações, mas em especial da tradição congo angola, acorreram para receber a visita dos ancestrais ilustres e em especial do Nkisi Nkosi.

Diferentemente do calendário litúrgico cristão, que se baseia no ciclo estruturado no hemisfério norte, o calendário do candomblé congo angola é baseado em sua raiz africana. Sendo, portanto, condizente com o hemisfério sul, daí a diferença observada especialmente pela vertente umbandista que celebra o Nkisi iniciador (Nkosi/Ogum) no mês de abril, normalmente assimilado ao santo cristão São Jorge. Já na Bahia, a celebração é próxima à celebração do Santo cristão Antonio, que é no dia 13 de junho.

Ao final da celebração o Nkisi presidiu a refeição tradicional abençoando todos os convidados e filhos enquanto saboreavam o feijão e alimentos típicos Nkisi. Assim foi dado início solene ao calendário anual de homenagem aos Bankisi e demais ritos que preenchem de significado a vida dos filhos e filhas de santo no candomblé congo-angola.

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