Terreiro bantu paulista inicia gravação de DVD e CD

Como é de tradição, o Terreiro de Candomblé Nzo Tumbansi Tua Nzaambi Ngana Kavungu, comunidade tradicional de povos de terreiros de matriz afro bantu, abrirá no próximo dia 19 de janeiro o seu calendário festivo e dá inicio ao ciclo de cerimônias religiosas tradicionais.

Neste evento, um dos mais belos e significativos, o terreiro receberá a presença de diversas e variadas personalidades do universo do candomblé de angola e de outros grupos étnicos de vários lugares do Brasil e de outros países, a exemplo do Taata Kwa Nkisi cubano, Christian Simard, que é tradutor e professor de línguas estrangeiras, licenciado em línguas e literaturas espanholas e hispano-americanas, e estudos luso-brasileiros na Universidade de Montreal, Quebec, Canadá.

História

Os africanos de origem Bantu chegaram ao Brasil a partir do século XVI. Desde então, desenvolveram forte relação cultural e religiosa com o país. O legado destes antepassados do povo brasileiro deve ser preservado, a partir de iniciativas que compreendam aspectos religiosos, ritualísticos e linguísticos. Os terreiros de candomblé são unidades vitais para este processo.

De acordo com a tradição oral dos praticantes dos ritos congo-angola, o terreiro hoje dirigido pelo Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno tem suas raízes no terreiro Tumbenci, de Maria Neném, fundado no início do século XVII. Katuvanjesi teve como escola a comunidade religiosa oriunda do povo Bantu, as raízes do Unzó Tumbenci, precisamente o Terreiro Santa Luzia Tumbenci Filho, que era localizado no bairro Bôca do Rio, periferia de Salvador, Bahia, da saudosa Nengwa Kwa Nkisi Kizungirá – Marcelina Plácida da Conceição, Massú (foto), de onde vem seu aprendizado e origem no candomblé.

Hoje, dirigindo o Nzo Tumbansi Tua Nzaambi Ngana Kavungu, Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi tem se esforçado no seu grande e audacioso projeto proposto pelo Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (Ilabantu), entidade mantenedora e conservadora do Nzo, pretende ser um dos meios de resgate da memória das nações de origem Bantu no Brasil, América Latina e Caribe.

O terreiro Nzo Tumbansi, situado numa das regiões mais carentes da zona sul da grande São Paulo (Estrada Armando Sales, 5205, bairro Recreio Campestre, município de Itapecerica da Serra/SP), vem realizando atividades religiosas e socioculturais, promovendo a mobilização e organização da comunidade.

Nos últimos anos foi observado um grande crescimento no número de adeptos da religião e de populares beneficiados com o trabalho social realizado no terreiro, chegando a atender 100 pessoas ao mês, em atividades de arte-educação, profissionalização e promoção social.

O terreiro também organiza anualmente o Seminário de Comunidades Tradicionais de Povos de Terreiros, em parceria com a Fundação Cultural Palmares, Seppir, Coordenadoria de Políticas para População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Prefeitura Municipal de Itapecerica da Serra e Conselho Municipal do Negro (Conegro), e agora, em parceria com a ONG Kolombolo, está se preparando para lançar seu primeiro Documentário histórico e o CD como contribuirão no sentido de criar novos mecanismos para o desenvolvimento sustentável das comunidades afro-brasileiras, estabelecendo pontes de inserção das tradições Bantu no contexto cultural do país, expandindo o conceito de cultura como o conjunto das relações entre os vários setores ou fragmentos da vida societária, com a manutenção harmônica destas relações.

Neste processo é essencial manter a autenticidade das danças, cânticos, ritos e ritmos da nação Congo-Angola, pois muitos destes elementos se perderam, por conta do contato com nações africanas de origem diferente. A existência do Documentário em DVD e do CD na comunidade, bem como a mobilização desencadeada para sua produção, contribuirão para disseminar os elementos intrínsecos da cultura de origem Bantu, promovendo eventos culturais e palestras, assim como desenvolvimento de cursos que envolvam o estudo da língua africana de origem Bantu-Kikongo e o estudo da história da África, observando a peculiaridade de ser reconstruída a partir e principalmente da tradição oral e dos rituais que serão documentados no DVD e CD.

A saudosa-poderosa Nengwa Kwa Nkisi Kizungirá – Marcelina Plácida da Conceição (Massú), do Terreiro Santa Luzia Tumbenci Filho

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