Secretário da SEPROMI e Walmir Damasceno discute igualdade racial no Território do Médio Rio de Contas

Ipiaú/Ba – Com a presença do secretário da SEPROMI, Ataíde Lima de Oliveira, o público ipiauense e de vários municípios do Território Médio Rio das Contas que dista 360 km ao sul do estado, prestigiou o evento “Promovendo a Igualdade Racial” – Um diálogo sobre políticas no Território Médio Rio das Contas, realizado na câmara de vereadores de Ipiaú, na noite de sexta-feira, dia 9 de maio, sob a Coordenação do líder nacional do ILABANTU, Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno.

walmir-damasceno-ipiauVereador Orlando Santos (PT-Ipiaú/Bahia), Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir
Damasceno; Secretário da Sepromi, Ataide Lima de Oliveira; ex-secretario da Sepromi
e candidato a deputado estadual no Estado da Bahia, professor Elias Sampaio,
na chegada a Câmara Municipal de Ipiaú.

A cerimônia contou com a presença de personalidades políticas, o ex-ministro Mario Negromonte, o deputado estadual Mário Negromonte Júnior, o ex-secretário da SEPROMI, professor Elias Sampaio, o prefeito de Ibirataia, Marcos Aurélio, acompanhado de vereadores, o empresário e líder politico de Ipiaú, Cezário Costa, lideranças de povos e comunidades tradicionais de matriz africana, representantes de entidades de classe, associações e população em geral que deixou lotado o salão nobre do poder legislativo.

Na ocasião, os pronunciamentos mais esperados foram de Ataíde Lima de Oliveira, Secretário Estadual de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), e de Walmir Damasceno, coordenador nacional do ILABANTU. Por sua vez, o Secretário Ataíde Lima fez um histórico do trabalho empenhado pela SEPROMI e exaltou o compromisso e comprometimento do atual Governo do Estado da Bahia com a politica antirracista e de combate a discriminação racial e a propagação de uma cultura de tolerância e respeito a diversidade.

TIGANA SANTANA Tiganá Santana, presidente nacional do ILABANTU

“A diversidade linguística e cultural dos contingentes de negros introduzidos no Brasil, somada a essas hostilidades recíprocas que eles traziam da África, e a política de evitar concentração de escravos oriundos de uma mesma etnia, nas mesmas propriedades, e até nos mesmos navios negreiros, impediu a formação dos núcleos solidários que retivessem o patrimônio cultural africano”.

A partir da inviabilidade de suas práticas culturais e do ilogismo na adaptação dos valores e das tradições portuguesas, o africano foi adaptando a sua cultura aos moldes brasileiros. Exemplo bem conciso, segundo Darcy Ribeiro, está na língua portuguesa mais leve e na religião católica menos ortodoxa, refletiu o Secretário Ataíde Lima.

“Simultaneamente, vão se aculturando nos modos brasileiros de ser e o de fazer, tal como eles eram representados no universo cultural simplificador de engenhos e das minas. Tem esse acesso, desse modo, um corpo de elementos adaptativos, associativos e ideológicos oriundo daquela protocélula étnica tupi que se consentiu sobreviver nas empresas, para o exercício das funções extra produtivas.”

Outro aspecto que comprova tal fato advém do pós-escravismo, visto que, depois da abolição, os negros foram entregues à condição de mão-de-obra assalariada degradante, sistema não muito diferente da sociedade colonial, até porque neste novo processo a escravidão continuou de maneira implícita, estereotipada e discriminatória.

vistaareraipiau3Vista panorâmica de Ipiaú, município-sede do Território
Médio Rio das Contas, no sul da Bahia

“As atuais classes dominantes brasileiras, feitas de filhos e netos dos antigos senhores de escravos, guardam, diante do negro a mesma atitude de desprezo. Para seus pais, o negro, escravo e forro, bem como o mulato, eram meras forças energéticas, como um saco de carvão, que desgastado era substituído facilmente por outro que comprava. Para seus descendentes, o negro livre, mulato e o branco pobre são também o que mais há de rele, pela preguiça, pela ignorância, pela criminalidade muita vezes inata e inelutáveis.

A frente do evento, a vereadora Margarete Chaves, contou com o apoio dos colegas de trabalho Josenaldo de Jesus e Orlando Santos e juntos conseguiram proporcionar um momento importante para a introdução da temática racial para reflexão da sociedade ipiauense.

A importância do combate ao racismo foi ressaltada pelos convidados e um dos aspectos relevantes abordados em plenário, foi a necessidade de se criar um plano municipal, ou secretaria de promoção da igualdade racial para realizar políticas públicas voltadas para a questão.

Kesa Dia Nzambi da redação Kimwanga-Nsangu – Agência de Notícias

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