Casa do artísta plástico Afro Brasileiro – 21 anos de sonhos recebe homenagens da ALERJ

Rio de Janeiro, RJ – Há 21 anos, conhecidos artistas plásticos afro brasileiros, liderados pelo artista plástico angolano, Filipe Salvador, falecido em 2006, no Rio, sonharam uma casa para todos os artistas de temática afro. Um lugar para se reunir, congregar forças, estabelecer parcerias, fazer negócios, desenvolver a arte. Nunca rolou.

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Mas nem por isso eles deixaram de fazer e acontecer. Durante essa travessia criaram um Salão Zumbi, no MAM-Rio, exposições memoráveis na Casa de Rui Barbosa, na UERJ, no Espaço Cultural da Caixa, no Espaço Cultural FINEP, no Espaço Cultural do BNDES,  no Centro Cultural Justiça Federal, Museu Nacional de Belas Artes, Sala Djanira, na antiga FESP, Galeria de Arte da Cidade do Samba e muito mais.

Foram abrigados por um bom tempo no Centro Cultural José Bonifácio e no Instituto Pretos Novos, na Gamboa, no Espaço Cultural Batucadas Brasileiras, na Saúde,  no Centro Cultural Cartola, em Mangueira. De tantas andanças, foi deixando sua história pelo meio do caminho.

Recentemente, num golpe do destino, teve todos os seus documentos, filmes, vídeos, fotos, catálogos e acervo confiscados pela Polícia Federal, segundo Boletim de Ocorrência na 5ª DP, registrado pela ex-vice-presidente da entidade, que abrigava, de favor,  a tal documentação, em sala de sua propriedade, onde funciona  também um escritório jurídico que defende os movimentos FIST – Federação Internacionalista dos Sem Teto, e os Black Blocs.  Por ironia, a CAPA sempre foi uma sem teto.

Muito além da cena contemporânea, da crítica especializada e dos famosos nomes carimbados no pequeno mundo das artes plásticas brasileiras, existe um universo paralelo de artistas plásticos, pintores, escultores, desenhistas e fotógrafos populares, que vivem da arte que produzem, comercializando suas criações, dando aulas, fazendo exposições e mostras, por todo o Brasil e também no exterior, tendo seus nomes e obras constando em catálogos importantes, assim como pontuando nos leilões, mesmo sem, às vezes, aparecer em jornais ou grande mídia.

Boa parte desses artistas independentes são associados à CAPA – como é conhecida a Associação Casa do Artista Plástico Afro Brasileiro. Uma ONG inspirada na UNAP – União de Artistas Plásticos Angolanos, e que nasceu dentro do Movimento Negro brasileiro, em 1993, na cidade do Rio de Janeiro, com o apoio do IPDH – Instituto Palmares de Diretos Humanos e da Fundação Palmares, através de um de seus fundadores, Justo de Carvalho, já falecido; reunindo, desde a sua origem, grandes nomes das artes negras brasileiras, como, Sérgio Vidal, Heitorzinho dos Prazeres, Abdias Nascimento,  Nelson Sargento, Alcir Dias, Idmach, Nuguetti, Ricardo de Ozias, Naval, Wanderley Caramba, Túlio Cordeiro, Iraci Carise, José da Paixão Silva, Walter Firmo, Da Penha, Krisnas Brazil, Januário Garcia, Rui B. Silva,  Joelsom, Vantoem Jr., Galvão Preto, Mestre Saul, Messias Neiva, Laura Mendes, Crispim Pinheiro, Ykenga, Maney,  Iléa Ferraz, Jorginho da Bahia, Saied Ahmady,  Antônio Pompeu, Silva Maranhão, Alexandre Filizola, Barros Tambo, Gina Barcelos, Léa Dray, Sinésio Brandão, Tia Lúcia, S.Hildebrando, Délia Viana, Messias dos Santos, Manuel Messias, o jornalista José Carlos Rego, a atriz Veluma, Marina Montini – inesquecível musa e Di Cavalcanti, Plínio Sales,  Tê Brasil, Luiz Carlos Gá, Everaldo Pinto Jr., e tantos incontáveis.

Agora, no auge de sua juventude, ao completar 21 anos de fundação, neste 1º de julho de 2014, as artes do destino providenciaram também um jovem para lutar por essa causa, dos artistas plásticos afro brasileiros,  bem longe de estar perdida. O eleito, em assembleia geral concorrida, para presidir a CAPA,  é Kyesse Freedom Silva Salvador, 23 anos, carioca de Santa Teresa, se formando ainda este ano como analista de sistemas de computação pela Universidade Estácio de Sá, filho da jornalista Anna Davies e do pintor angolano Filipe Salvador, fundadores da CAPA.

Tem dado certo. Por iniciativa do Deputado Carlos Minc (PT), a ALERJ – Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro vai homenagear a Casa do Artista Plástico Afro Brasileiro e seus antigos parceiros, no próximo dia 13 de agosto, às 18 horas, com uma Sessão Solene no plenário da ALERJ, onde dará à CAPA o título de Benemérita dos Artistas Plásticos Afro Brasileiros e também Moção de Honra a apoiadores e parceiros das artes populares: o colecionador Aldemar Celito Jahn, o Jornalismo da Rede Globo de Televisão, a diretora das lojas Caçula, Marizete Menezes, o Embaixador de Angola, Dr. Ismael Diogo da Silva, e o empresário, dono do Rio Scenarium, Plínio Froes.

Foram convidados para homenagear os artistas da CAPA  os cantores, Renata Jambeiro, Abel Duerê, Naum Rojtenberg e o violinista Nicolas Krassik.

Os mais antigos e atuantes artistas da Capa receberão, por parte da própria entidade, os títulos de Baluartes, e a nova diretoria recém-empossada os diplomas de posse.

Os poetas Mano Melo,  Dalberto Gomes e Cairo Trindade, recitarão poemas no ambiente da exposição do pintor Antônio Brasil(Silva Maranhão), no hall onde será servido um coquetel após a sessão solene no plenário da Alerj.

Agradecemos  a Divulgação – Rio, 24/07/2014

Site: www.capabrasil.org

Informações: Anna Davies – Tels.: 2222 6517 / 99749 2928 / 98374 0563

E-mail: annadavies3000@yahoo.com.br

Anna Davies, para a redação Kimwanga-Nsangu – Agência de Notícias

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