Inzo Tumbansi participa da celebração dos 20 anos de Recusa

Suzano/SP – Contadores de Mentira estão em atividade desde 1995 pisando em terras inóspitas cuja pressão de uma região coronelizada poderia facilmente destruir qualquer ação ou movimento cultural. Essa força contrária é o que nos move e nos motiva a existir.

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Se sob a pressão da política local mantemos um galpão mantido às nossas próprias economias e ali depositamos nossa energia é porque o caminho mais duro também nos dá posição, militância, politização e vontade de que aquilo que produzimos possa também contagiar outros ao nosso redor.

Entendemos que nossas constantes reviravoltas e guerras não são mudanças, mas uma maneira de dialogar com o tempo para proteger a própria identidade, uma estratégia para interrogar a História e proteger nossa própria existência.

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Uma cidade como Suzano precisa de beleza. Foi devorada por grupos políticos e por uma política de balcão que viciou artistas, pensadores, cidadãos. Todas as possibilidades de crescimento de um grupo de teatro pareciam improváveis há poucos anos atrás. Percorremos um caminho torto, tomamos nossas decisões, fizemos nossas guerras, enfrentamos nossos monstros e somos cobrados por nosso próprio histórico enquanto defendemos um assentamento.

E se não há alimento para todos, porque somos pobres, cabe a nós semear, lutar por políticas públicas, por conhecimento e acesso. Cabe a nós destituir o poder de quem nos oprime. Cortar a cabeça do Ditador. Tudo o que fazemos é público, portanto dedicamos muito tempo ao povo. Nosso corpo teatral é talhado por cicatrizes e cortes profundos, criamos muitas guerras ao longo do caminho para manter a utopia de uma liberdade e de não ceder ao “negócio”.

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Sentir o tempo tocando nossa espinha dorsal e fragilizando nosso corpo é um processo que só resistimos porque pensamos em grupo. O que fazemos ainda é uma relação de encontro entre seres humanos e este espaço está cada vez menor, porém, não cedemos, sentencia Cleiton Pereira, ator, diretor e fundador do grupo.

Partilhando dessas lutas de grupos e culturas segregadas que o Inzo Tumbansi, liderado pelo seu dirigente tradicional e coordenador geral do ILABANTU, Taata Katuvanjesi – Walmir Damasceno participou sábado (8/7) dos 20 anos de Recusa, conduzindo e presidindo a celebração de um rito dentro das tradições ancestrais bantu, abrindo assim a rica programação de aniversário de luta e resistência do grupo Contadores de Mentira.

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