Tata Katuvanjesi alerta para onda de crimes de intolerância e racismo religioso no país


Foto: Fernanda Procopio

Itapecerica da Serra/SP – Realizou-se no dia 28/01/2017, com sucesso e alegria, a Kizomba (festa) de abertura do calendário festivo e tradicional celebrando os ancestrais e antepassados no Terreiro de Candomblé de feição bantu-kongo, o Inzo Tumbansi Tua Nzambi Ngana Kavungu (Casa Pedaço de Terra do Deus Senhor dos Mistérios) em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.


Foto: Mavwale De Kayongo

Tata Katuvanjesi, mfumu Nganga (Chefe Tradicional Altíssimo), título conferido pelo Congolês Samba Tomba, recepcionou cerca de 300 pessoas, entre convidados(as) e visitantes, filhos(as) de santo de vários lugares do país, fieis seguidores do Candomblé e Umbanda oriundos da capital paulista, Campinas, Guarulhos, Osasco, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG) e Bahia, além de inúmeros acadêmicos e intelectuais, profissionais da mídia escrita e televisada, a exemplo da produtora de jornalismo da TV Brasil em São Paulo, Joana Côrtes; a repórter Priscila Kercher; a cientista social Renata Cristina Gonçalves dos Santos, da Unifesp; a advogada e procuradora jurídica do Nzo Tumbansi/ILABANTU, Haydée Paixão; o mestre em Antropologia das Populações Afro-brasileiras e Antropologia Urbana pela PUC-SP, mestrado “Os terreiros e a Cidade: História e Memória do Terreiro Axé Ile Oba, Babalorisá Renato Kilombola, de Ògùn, entre outros.

A celebração foi interrompida com a fala de Tata Katuvanjesi que alertou para a onda de crimes de intolerância e racismo religioso que tem sido cometidos pelo país a fora e que as vítimas são povos e comunidades tradicionais de matriz africanas. O sacerdote disse ser natural “o direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função do que pratica são crimes inafiançáveis e imprescritíveis”, observou.

O ponto alto da festividade foi a saída pública dos Bankisi Lemba, Uambulu N´Sema (Bamburucema) incorporados, respectivamente, por Maganza Damien-Adia Marassa, de Carolina do Norte(EUA); Maganza Regiane Fátima Pereira; e mon’a Nkosi (Hoji), Cátia Maria dos Santos Matos (muzenza); além de obrigações tradicionais da educadora social e historiadora Patricia Cerqueira dos Santos, mon’a Samba-Kalunga; bem como a educadora e pedagoga Eliene Carreiro, mon’a Uambulu N´Sema (Bamburucema), do bairro de Taquaruçu, Palmas, Tocantins, confirmada nova Makota, e o advogado José Roberto Marciano, mon’a Lemba, que tomou obrigação de 7 anos de iniciado sendo elevado a condição de Kambandu Mabaya do Nzo Tumbansi.

As energias tranquilas permaneceram entre todo os fiéis e seguidores da casa durante as muitas horas de festa que contou com momentos emocionantes e encontros potentes entre as pessoas e as divindades, difundindo inspiração que irradiava entre os participantes até o amanhecer. Os novos filhos(as), cumprindo obrigações tradicionais no Nzo Tumbansi, expressaram-se durante a segunda fase da festa em danças e falas breves com bastante Ngunzu e, por seus relatos, sentiram-se bem recebidos pela casa e pela comunidade do povo-de-santo reunida no Terreiro.

Ao completar o último toque da noite, antes dos atabaques se silenciarem e os Bankisi se retirarem dentre quem estava reunido, a felicidade de trilhar novos caminhos, e de conhecer mais profundamente as energias e os elementos da ancestralidade trouxe a todos a promessa de paz em mais um ano de acompanhamento, aprendizagem e reflexão. A professora doutora Renata Gonçalves, representante da Universidade Federal de São Paulo, presente na cerimônia, disse que “foi gratificante ter assistido ao ritual de saída dos Bankisi. Foi lindo! Fiquei muito emocionada, como se tivesse revendo/ revivendo minha história. A emoção também foi de “revolta” por terem nos privado do contato aberto com nossas origens, nossa cultura… E sua fala contra a intolerância e o ódio foi excelente! Precisamos fechar as conversas sobre projetos com a Unifesp, finalizou Renata Gonçalves.

2 comentários em “Tata Katuvanjesi alerta para onda de crimes de intolerância e racismo religioso no país”

  1. SAMBA TOMBA Justes Axel

    Parabéns Tata para o sucesso dessa cerimônia tradicional para o honra de nossos ancestrais Bantu Kongo , Ambundu para a sobrevivência Cultural Bantu no Brasil. Matondo Tata.

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