Tambores rufam nas ruas de Vila Brasilândia em caminhada contra racismo religioso e falso estado laico

Os tambores sagrados rufaram nas ruas de Vila Brasilândia, zona norte da capital paulista na tarde de domingo (5), às 15h, com a realização da I edição do Kuringa, Cortejo Afro, como forma de luta e caminhada pelo fim da violência, da intolerância religiosa, pela paz. O ponto de concentração foi no Terreiro de Candomblé Santa Bárbara, na atual rua Ruiva, espaço fundado pela baiana Julita Lima, saudosa Manaundê, mulher negra que migrou da região nordeste do pais na década 40 e fundou o primeiro terreiro de candomblé na capital de São Paulo.

A caminhada foi liderada por Tata Katuvanjesi – Walmir Damasceno e Mam`etu Oyajidê – Mãe Pulqueria Albuquerque, de Bamburucema, herdeira e sucessora da saudosa Manaundê, que além da participação de filhas e filhos de santo, entre outros, que vestidos de branco, juntamente a outros sacerdotisas e sacerdotes das diversas matrizes das religiões afro-brasileiras saíram às ruas para manifestar, com cânticos sacros entoados pelo Tata Arthur Mambulekwala, de Nzazi, ao som dos atabaques percorreram algumas ruas da Vila Brasilândia manifestando repúdio contra o desrespeito à liberdade de culto assegurada pela legislação brasileira.

Ao finalizar o evento, Katuvanjesi falou do legado deixado pela saudosa Manaundê, exaltando seu simbolismo enquanto mulher negra, retirante nordestina e sacerdotisa de candomblé. O coordenador nacional do ILABANTU/Nzo Tumbansi lembrou que “este logradouro público onde está estabelecido o Terreio Santa Bárbara logo será alterado para Rua Manaundê, conforme projeto que tramita na Câmara Municipal de São Paulo, de autoria do vereador Toninho Véspoli, do PSOL”, uma vitória de todos povos de terreiros da maior capital econômica da América Latina.

A caminhada denominada Kuringa, é um Cortejo Afro projetado pela ONG Kolombolo de Piratininga, idealizado pelo seu líder, o cantor, compositor, sambista e estudioso da temática africana e afro brasileira Renato Dias, Xikarangoma do Terreiro Inzo Tumbansi. Renato disse que o projeto foi pensado porque os terreiros são sistematicamente alvos de ataques movidos por igrejas neopentecostais, e realizar a primeira edição Kuringa em Vila Brasilândia tem um simbolismo por ser um bairro de população majoritariamente negra e que mais sofre com o racismo e toda forma de intolerância correlata e o descaso do poder pública”.

Ascom Ilabantu/Nzo Tumbansi

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