Editorial – Kimwanga-Nsangu

Da importância de se deixar o lugar comum

É difícil falar sobre racismo sem correr o risco de estar apenas reproduzindo discursos sem maior embasamento. Com o advento das redes sociais e o grande acesso a informação que vemos atualmente, este assunto ganha cada vez mais notoriedade, o que seria bom se esta discussão não se perdesse na superficialidade da rede.

No contra fluxo dos debates meramente digitais -importantes para conscientizar, mas inexpressivo como efetivo agente transformador- vemos ações importantes sendo realizadas por todos os cantos, conclamando os povos de origem negra a participarem ativamente desta luta contra o preconceito e a discriminação que nos assola há tanto tempo.

Á exemplo disto, a “Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial” (CONAPIR), agora em sua terceira edição, vem trilhando um caminho importantíssimo na construção deste processo democrático. A conferência é uma ação efetiva não só em relação ao combate ao racismo, mas também na mobilização e conscientização no que se refere às políticas afirmativas e promoção da igualdade racial. Neste ano, o tema é “Democracia e Desenvolvimento sem racismo: Por um Brasil Afirmativo”.

Este tipo de ação é de suma importância para tirar-nos da zona de conforto e do lugar comum para discutir e refletir sobre os rumos desta sociedade que teima em manter-se racista. Este preconceito -velado ou explícito- também vitima os adeptos das religiões de matriz africana, hoje e sempre atacada por intolerantes que insistem em demonizar suas divindades. Para além das reclamações em redes sociais, os povos de terreiro necessitam de (mais) mobilização, organização e, sobretudo, pensamento crítico.

A CONAPIR (que este ano acontece entre 5 e 7 de novembro em Brasília) , assim como diversos outros eventos semelhantes, é a grande chance de os povos deixarem de lado o conformismo e o discurso vitimista para tornar-se agente de luta e transformação. É a oportunidade de deixar um pouco de lado o universo confortável e protegido das redes sociais para verdadeiramente debater assuntos que com certeza irão interferir em sua vida e sua liberdade. Tomemos como exemplo os antigos quilombolas e sua organização, sem a qual, dificilmente haveria chances de sobrevivência.

Walmir Damasceno – Taata Katuvanjesi
Afroabraços!


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