Advogada negra candidata a vice-presidente da OAB paulista visita terreiro de candomblé

Itapecerica da Serra/SP – Grupo de advogados liderados pela advogada negra Lazara Carvalho reuniu-se na sexta-feira, 8 de outubro, no Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (ILABANTU), sede da Comunidade Tradicional de Matriz Centro Africana Terreiro Inzo Tumbansi, no Recreio Campestre, em Itapecerica da Serra. Encontro teve como abjetivos debates a urgência da Luta Antirracista, de defesa dos direitos dos povos e comunidades tradicionais de matrizes africanas e de terreiros e de ações diretas para a efetividade destas pautas irrenunciáveis.
Lazara Carvalho, que tem se destacado na luta antirracista, recentemente deixou a presidência da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Osasco, na Grande São Paulo, é candidata a vice-presidente da OAB seccional de São Paulo, esteve acompanhada da também advogada negra Rosana Rufino e do advogado criminalista Renato Sanches, do Escritório de Advocacia Sanches & Mereles. Foram recepcionados pelo Taata Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno), que aproveitou o momento e fez relato histórico de ações e projetos do ILABANTU – Inzo Tumbansi.


Eleições na OAB – Mulheres formam chapa feminina


A Ordem dos Advogados do Brasil existe há 90 anos e, nesse período, apenas dez mulheres chegaram à presidência das seccionais do órgão —nenhuma no Estado de São Paulo. Duas profissionais querem mudar esse cenário: a criminalista Dora Cavalcanti e a advogada das famílias (título escolhido pela mesma) Lazara Carvalho. Elas formam a primeira chapa feminina a concorrer à presidência da OAB, pela seccional de São Paulo. “Apesar das mulheres formarem a maior parte dos inscritos na OAB, isso não se reflete nos cargos de liderança da Ordem. Falta representatividade”, diz a criminalista Dora Cavalcanti.
“As pessoas precisam entender que a OAB é, além de uma organização, uma autarquia muito importante para os processos democráticos do nosso país. Ter participação feminina, negros e pessoas diversas no comando da Ordem é um avanço social”, analisa a candidata à vice-presidência Lazara Carvalho, que acrescenta: “Nós, mulheres, não estamos ali para preencher — vagas, mas sim para discutir o direito — e a sociedade que queremos”.
Mães, feministas e advogadas Tanto Lazara quanto Dora ainda não podem ser chamadas de candidatas; elas só oficializarão a chapa a partir de outubro, um mês antes da eleição. Por enquanto, elas devem ser chamadas de “pré-candidatas”. Se existe o risco delas desistirem da campanha? “Claro que não”, responde Dora.
“Eu e Dora somos duas inconformadas, e é isso que nos une”, fala Lazara. Militante dos direitos humanos e da igualdade racial, a pré-candidata à vice-presidência da OAB-SP é também co-fundadora do Elo, movimento criado para discutir episódios de ofensas raciais que aconteceram entre membros da Ordem.
“Quando chego a um Fórum ou Tribunal, não sou vista como advogada. Por causa da cor da minha pele, acham que eu sou a mãe ou a mulher de um réu”- Lazara Carvalho antes de mulher, advogada ou feminista, Lazara é mãe — “de duas filhas gêmeas”, deixa claro. Para ela, é preciso criar um ambiente profissional mais solidário às mulheres que escolhem seguir o caminho da maternidade, inclusive dentro da OAB. “Perdi causas, oportunidades de crescer no trabalho, reuniões do conselho, entre outros eventos, para ter que cuidar da Bárbara e da Ester. Não vejo isso como uma coisa justa.”

1 comentário em “Advogada negra candidata a vice-presidente da OAB paulista visita terreiro de candomblé”

  1. Torcendo pela vitória!
    Opé!

    E muito me honra ter como companheira de militância a Drª Cláudia Patrícia de Luna como Presidenta de uma das Comissões da OAB.
    A nossa luta tem sido grande, incessante.

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