Ancestralidade Bantu: Tata Katuvanjesi faz visita histórica as terras de Njinga Mbande

Ancestralidade Bantu: Tata Katuvanjesi faz visita histórica as terras de Njinga Mbande

Soberano do Bailundo Ekuikui V e Taata Katuvanjesi

Para participar de atividade que celebrou encontro de dois importantes dos monarcas angolanos, Soberano do Ndongo e do Bailundo, retornou ao Brasil Tata Katuvanjesi – Walmir Damasceno, coordenador geral do ILABANTU e dirigente tradicional do Nzo Tumbansi, sediado em Itapecerica da Serra. Convidado para aquela atividade decorrida de 27 à 30 de julho, o representante brasileiro esteve em Angola de 23 de julho à 5 de agosto. No dia 23, uma segunda-feira, foi recebido na capital principal do país africano pelo secretário do Reino do Ndongo, historiador e jurista Carlos Njinga.

Sentando diante do Tumulo onde repousam
Ngola Kiluanje Kia Samba e Njinga Mbande

De Luanda, Katuvanjesi rumou para cidade de Malanje, cerca de 375 km a nordeste de Angola, onde aconteceu o primeiro encontro entre o Representante brasileiro, o Soberano do Ndongo, Buba Nvula Dala Mana, atual rei Cabombo, que é o 115º substituto do rei Ngola Kiluanje, nome que dá origem à República de Angola, e o soberano do Bailundo, Armindo Francisco Kalupeteka Ekuikui V, rei do povo Umbundu, para em seguida seguir viagem para as terras de Ngola Kiluanje Kia Samba e Njinga Mbande rumo a comunidade de Dala Samba, município de Marimba, capital do Reino do Ndongo.

Durante o percurso da viagem de mais de 300 km era comum a presença de populares nas margens da estrada em que passava a comitiva, aplaudindo e reverenciando a todo momento. No município de Kahombo aconteceu a primeira parada para um almoço tradicional e coletiva de imprensa.

Entrevista a TPA, mais importante rede de televisão de Angola

Tata Katuvanjesi participou de um conjunto de importantes celebrações tradicionais no mesmo nível e em pé de igualdade dos dois Monarcas presentes, o Rei Cabombo (Ndongo) e do Bailundo, nas terras de Ngola Kiluanje Kia Samba e Njinga Mbande, a lendária soberana angolana. Terras estas matriz de culturas tradicionais bantu, a exemplo de rituais de candomblé e outras manifestações da ancestralidade dos bantu, valores civilizatórios africanos que aportou no Brasil com o advento da famigerada escravidão colonial.


Taata Katuvanjesi cumprimentando
os Sobas e Autoridades Tradicionais

No final da tarde do dia 27 finalmente a comitiva integrada por reis e rainhas chega a capital do Reino do Ndongo em grande festa, um grupo integrado majoritariamente por mulheres cantavam e dançavam em honra aos visitantes e palavras de saudação em alto e bom som foram pronunciadas por um Soba na entrada principal do Reino, foram efetuadas visitas em cada espaço, particularidades do Reino, residências de dezenas de habitantes do Ndongo, as kuabata (casas) construídas com paredes de barro e cobertura de capim.

Sentando aos pés do Rei Cabombo, de chapéu
e as Rainhas do Reindo do Ndongo

Em determinado momento o Soberano do Ndongo, rei Cabombo, relatou a historicidade do reino do Ndongo e da Matamba, a importância do grande monarca Ngola Kiluanje Kia Samba e a sua sobrinha, a Njinga a Mbande. Os feitos corajosos e argutos da soberana são ideais que continuam a inspirar muitas pessoas no mundo inteiro e um resumo deles foi apresentado na fala do Rei do Ndongo, anfitrião do encontro internacionalizado com a presença de Tata Nkisi Katuvanjesi.

O rei do Ndongo (Malanje), Buba Nvula Dala Mana “rei Cabombo”, mostrou-se satisfeito pela interação com o seu homólogo do Bailundo e do visitante brasileiro, a quem apresentou a espada, livros, corrente e outros instrumentos deixados pelo rei Ngola Kiluanje, bem como cinzas de uma fogueira que não apaga, símbolos do poder tradicional usados para determinados fins.

No dia 28, um sábado, foi a vez de outra visita histórica, desta feita na comuna de Mukulu a Ngola, local onde estão os túmulos onde repousam os reis Ngola Kiluanji Kia Samba, a rainha Njinga Mbande, entre outros monarcas. Nesta localidade, o guardião dos túmulos dos reis do Ndongo, Lito Filipe da Cunha, partilha da ideia de se construir um monumento histórico com jazigos dos soberanos para enaltecer as figuras dos mesmos, preocupação que segundo disse, já apresentada há muitos anos ao governo angolano. “Angola sabe o que tem que ser feito no local, porque não se pode continuar com as estruturas atuais”, frisou, realçando que a semelhança do que aconteceu nos túmulos dos reis de Mbanza Congo (Zaire) e Bailundo (Huambo) por se tratar de importante patrimônio do país e da humanidade.

Visitando a estátua em homenagem a soberana
Njinga Mbande na entrada da cidade de Malanje

Sobre o papel histórico de Ngola Kiluanje Kia Samba e da soberana do Ndongo e da Matamba, Katuvanjesi considerou-a “uma figura lendária do seu tempo, que com a sua gesta heroica soube preservar a soberania dos povos de Angola e, por isso, tornar-se num símbolo cultural e ancestral”.  Sobre Njinga Mbande, o coordenador geral do ILABANTU e do Nzo Tumbansi, centro que estuda e preserva as culturas tradicionais dos bantu na américa latina, sublinhou também o fato de ela ser considerada “a primeira diplomata angolana”, por ter conduzido, em 1622, uma missão a Luanda a pedido do seu irmão Ngola Mbande, então soberano do Reino do Ndongo, com o objetivo de negociar com os portugueses.

Monadenge felizes com a presença
do Brasileiro, Taata Katuvanjesi

Rainha Njinga a Mbande aprendeu a falar português e professou estrategicamente a religião católica, pela qual se deixou batizar com o cognome de “Anna de Sousa”. No entanto, “apesar de ter aceitado a religião católica, Njinga a Mbande preservou sempre os valores e rituais fundamentais da cultura bantu”. É considerada uma heroína não só em Angola, mas em África e na Diáspora Africana.

3 thoughts on “Ancestralidade Bantu: Tata Katuvanjesi faz visita histórica as terras de Njinga Mbande

  1. kilandu

    Artigo interessante. No entanto Gostaria de corrigir algo: O correcto é “Ana’ndenge” que é o plural de “mona’ndenge” e não “monadenge”.

  2. Fertangel

    Uma correcção, Njinga a Mbande não foi nunca angolana, nem pde ser considerada primeira embaixadora de Angola, nem lutou para preservar a independencia de Angola, foi embaixadora do Reino do Ndongo, foi Rainha do Ndongo, lutou pela independencia do Ndongo e para não ser angolana.
    Defendam a correcta história.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *