IPHAN ABRE PROCESSO DE TOMBAMENTO DO INZO TUMBANSI E RECONHECE A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA, CULTURAL E ANCESTRAL DO TERREIRO

IPHAN ABRE PROCESSO DE TOMBAMENTO DO INZO TUMBANSI E RECONHECE A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA, CULTURAL E ANCESTRAL DO TERREIRO

IPHAN ABRE PROCESSO DE TOMBAMENTO DO INZO TUMBANSI E RECONHECE A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA, CULTURAL E ANCESTRAL DO TERREIRO

O Inzo Tumbansi celebra com profunda alegria, emoção e senso de responsabilidade mais uma importante conquista histórica na caminhada de resistência, preservação e valorização das tradições de matriz africana no Brasil. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) oficializou a abertura do Processo nº 01506.000273/2026-7, que trata do tombamento do Inzo Tumbansi como Bem Material, garantindo ao terreiro proteção federal provisória enquanto são realizados os estudos técnicos que subsidiarão a decisão final.

A partir da instauração do processo administrativo, o Inzo Tumbansi já passa a contar com proteção legal, impedindo descaracterizações e quaisquer ações que possam comprometer sua existência, integridade física, histórica, cultural e espiritual.

A notícia representa uma vitória histórica não apenas para o Inzo Tumbansi, mas para toda a tradição do Candomblé Congo-Angola, para os povos de matriz africana e para todos aqueles que compreendem a importância de preservar os territórios sagrados que sustentam a memória ancestral do povo negro no Brasil.

Sob a liderança firme, ética e ancestral do Tata Nkisi Katuvanjesi, de nome civil Walmir Damasceno, o Inzo Tumbansi consolidou-se ao longo dos anos como um dos mais importantes e respeitados espaços religiosos do Candomblé Congo-Angola no Brasil e também no exterior.

Muito mais do que uma casa religiosa, o Inzo é um território sagrado de preservação da ancestralidade africana, de formação espiritual e ética, de produção cultural, de fortalecimento identitário e de resistência política diante das estruturas históricas de racismo, intolerância religiosa e colonialidade que ainda marcam profundamente a sociedade brasileira.

No sagrado chão da Mabaia, onde os rituais acontecem e onde a ancestralidade se manifesta de forma concreta e viva, gerações seguem aprendendo que espiritualidade também é compromisso coletivo, responsabilidade comunitária, cuidado e continuidade da vida.

O Inzo Tumbansi também se destaca por seu trabalho social junto às comunidades, promovendo ações solidárias como distribuição de cestas básicas, rodas de conversa, encontros formativos e debates sobre temas fundamentais como combate ao racismo religioso, políticas públicas, direitos humanos, educação antirracista e saúde da população negra.

Além disso, a casa tornou-se referência nacional por reunir importantes intelectuais, pesquisadores, professores, artistas e militantes negros que constroem, a partir do terreiro, novas formas de pensar o mundo, reafirmando os saberes africanos e afrodiaspóricos como patrimônios vivos e fundamentais para a sociedade brasileira.

O reconhecimento por parte do IPHAN reforça aquilo que o povo de santo sempre soube: o Inzo Tumbansi é patrimônio vivo da ancestralidade africana no Brasil.

Esta conquista é resultado de anos de luta coletiva, resistência espiritual e compromisso com os ensinamentos dos mais velhos.

Como afirma a própria comunidade do terreiro:

“O Velho Kavungu revitaliza nossas forças e instiga a continuar na luta do resistir para existir sempre.”

Hoje é dia de celebrar.

Celebrar os ancestrais.
Celebrar os mais velhos.
Celebrar cada filho e filha que mantém viva essa tradição.
Celebrar a força do Nkisi.
Celebrar a vitória coletiva do povo negro e dos povos tradicionais de terreiro.

O Inzo Tumbansi segue firme em sua missão de preservar a ancestralidade, proteger a memória e garantir que as futuras gerações continuem encontrando neste território sagrado um espaço de fé, dignidade, conhecimento e resistência.

Nzoetu Kizua!

Inzo Tumbansi

Ancestralidade viva. Resistência permanente. Patrimônio do povo negro brasileiro.