Visita histórica de Tata Katuvanjesi na capital espiritual do Reino do Kongo

Com apoio da Associação Mãos Livres Angola, ONG fundada pelo advogado especialista em direito penal e deputado da Assembléia Nacional, David Mendes, Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi(Walmir Damasceno), retornou de mais uma viagem a República de  Angola, a convite do Comitê de Gestão Participativa do Centro Histórico de Mbanza Kongo, liderado pelo governador da Província do Zaire, Pedro Makita Armando Júlia. O Coordenador Geral do ILABANTU Nzo Tumbansi desembarcou em Luanda dia 1 de julho e foi recebido na Assembléia Nacional por parlamentares de vários partidos que integram o parlamento angolano, entre eles o anfitrião, Manuel David Mendes; Pedro Agostinho de Neri(MPLA), secretário geral daquela casa legislativa; Anabela Caiovo Gunga(MPLA); Raúl M. Danda, vice-presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola(UNITA), entre outros. 

De Luanda, Tata Katuvanjesi rumou para Mbanza Kongo, capital espiritual e ancestral do antigo Reino do Kongo, na província do Zaire, norte de Angola onde foi recebido pelo pan-africanista e membro do VUVAMU (Vutuka Vana Mpambu Uvidila), Pita Wumpovela Nzayanvimba e participou do Festikongo (Festival Internacional da Cultura Kongo), de 5 a 9 de julho. Foi a primeira visita do representante do ILABANTU a secular Mbanza Kongo, local de onde saíram milhares de africanos para o Brasil na condição de escravizados.

Na terra de Kimpa Vita, uma das primeiras mulheres africanas a lutar contra a dominação cultural e religiosa europeias, o afro-brasileiro, Taata Katuvanjesi foi recepcionado pelo sociólogo Biluka Nsakala Nsenga, diretor provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos no Zaire, se reuniu com representantes de diversos setores sociais, políticos, culturais, visitou o Museu dos Reis do Kongo, onde se encontra também Yala Nkuwu uma árvore sagrada, do gênero Nsanda (Mulembeira), que se encontra no centro da cidade, junto ao Kulumbimbi e o palácio dos Ntotila. A árvore é fundamental na ancestralidade Bakongo, representando a lei e a ordem ancestral. Nos pés da árvore ocorriam e continuam a ocorrer, os julgamentos contra as transgressões sociais e espirituais. Yala Nkuwu carrega em si o poder de julgar, de zelar pela manutenção da tradição, fazer cumprir os desejos ancestrais. O povo ao sustentar a ideia da premonição de catástrofe, ou a questão de ela “verter sangue” são provas reais sobre a influência e imenso poder materializado dos ancestrais.

O Kulumbimbi, a primeira igreja construída na África subsaariana por missionários católicos que faziam parte da primeira expedição portuguesa liderada por Diogo Cão quando chegou a Angola em 1482. Em realidade Kulumbimbi, é um local onde se oferecia vinho de palmeira para os ancestrais; lugar onde se reunia muita gente, uma espécie de tribunal e, para ter direito a palavra, era fundamental “bater as palmas” (um sinal de reverência). Entre significativas histórias, Kulumbimbi foi local dos cultos dos ancestrais e onde estariam enterrados o ancestral de toda população, cemitério dos ancestrais da fundação do Kongo. Outro espaço memorável visitado por Tata Katuvanjesi foi o Cemitério onde repousam os principais Soberanos do Reino do Kongo.

A visita de Tata Katuvanjesi a Mbanza Kongo proporcionou encontro com Chefes Espirituais, entre Nganga (Curandeiros) e Kimbanda. No Hotel Estrela do Kongo, onde esteve hospedado, se reuniu com Autoridades Tradicionais, em encontro liderado pelo soberano João Miguel “Mbau”, presidente do Natrral – Núcleo das Autoridades Tradicionais e Representantes dos Reinos de Angola, foi a Kinlongo (Casa de Santos/Templo), teve encontro reservado com Nganga Nkisi Ntinu Ezenga Tadi.

O centro histórico de Mbanza Kongo, uma cidade localizada na região norte de Angola, capital da província do Zaire, foi classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade em 8 de julho de 2017. Mbanza Kongo conta com uma população estimada em 155 mil e 174 habitantes. O Kikongo (língua materna) e português, do colono, são os idiomas mais falados na localidade, incluindo também Lingala, língua com maior número de falantes em toda África central e adotada pela União Africana, originária certamente da República Democrática do Kongo, dada a proximidade com este país.Dados divulgados pela UNESCO apontam a cidade de Mbanza Kongo, como sendo a capital política e espiritual do Reino do Kongo, um dos maiores estados constituídos na África Austral, do século XIV ao século XIX.

Trata-se de uma área histórica que cresceu em torno da residência real, da corte costumeira da árvore sagrada e do local real de funeral. Passaram-se séculos, mas os hábitos, costumes e tradições perduram, bem como os monumentos e os locais sagrados. Fazem parte do centro histórico as ruínas de Kulumbimbi, a árvore Yala Nkuwu, o Súnguilo – local sagrado considerado tribunal tradicional, a antiga residência dos Reis do Kongo, transformada em museu. No interior estão expostos objetos que pertenceram aos monarcas que por lá passaram e que lhes foram presenteados pela primeira missão de portugueses, em jeito de confraternização. É ao pé da Árvore Sagrada Yala Nkuwu onde continuam a ocorrer os julgamentos contra as transgressões sociais e espirituais.

Reza a história que o fundador do Reino do Kongo Nimy-a-Lukeny, sendo uma autoridade espiritual, quando chegou aquela região reconheceu na árvore o poder especial de pressagiar coisas boas ou más. E assim acontece até aos dias de hoje. O Súnguilo é o local sagrado onde os restos mortais dos Reis eram preparados por mulheres escolhidas a dedo.

O Lumbu, ou seja, Tribunal Tradicional, é o local destinado a albergar julgamentos tradicionais. Instalado no quintal do Museu dos Reis do Kongo, foi igualmente classificado como património imaterial, pela forma como pelo papel fundamental na resolução de conflitos no seio das comunidades locais. É no Cemitério onde as autoridades tradicionais provenientes das províncias de Angola, da República Democrática do Kongo, da República do Kongo (Brazzaville) e do Gabão, se reúnem ainda hoje para cerimônias em homenagem aos ancestrais do antigo Reino do Kongo.

Já as Ruínas de Kulumbimbi têm despertado interesse da comunidade científica internacional pela sua singular arquitetura”. Relatório da UNESCO dá conta que a propriedade ilustra as funções políticas e religiosas como foram exercidas no coração do antigo Reino do Congo.

Ao final da visita a Mbanza Kongo, Taata Katuvanjesi (Walmir Damasceno), foi recebido em audiência especial no Palácio do Governo Provincial do Zaire pelo Governador Pedro Makita Armando Júlia, com quem trocou impressões e entregou ao governante uma placa de homenagem dos descendentes de bantu do Brasil e convidou o Governador para uma visita ao ILABANTU Nzo Tumbansi, convite aceito pelo alto dirigente provincial.Retornando a Luanda cumpriu agenda concorrida, encontros com o deputado Makuta Nkondo; com advogado Salvador Freire, coordenador da ONG Mães Livres Angola; o especialista em relações internacionais, Augusto BáfuaBáfua, entre outros.

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  1. 31st julho 2019 | Geraldo Setembrino de Souza Filho says:
    Sou adepto da cultura afro brasileira culto Angola tombeici

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