Momento Histórico para as Tradições de Matriz Africana brasileira

Fonte: Instituto de educação e Cultura Mwana Zambe

Sábado 04 de Janeiro de 2014 houve um encontro de dois gigantes. Dois irmãos separados pela diáspora avassaladora. O encontro entre a África meridional e o Brasil Afro-descendente. Um momento histórico de extrema importância para as religiões de Matriz Africana e principalmente para a Tradição contida no candomblé Congo-Angola. Neste dia, Tata kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno, do Inzo Tumbansi tua ngana Zambe Kavungo representante do Instituto Latino Americano de Tradições Bantu “ILABANTU” recebeu a honrada visita do senhor Omolan ya Sekulu Kakolo – Edson Calixto, de tradição Umbundu propriamente um descendente dos Tchokwes – nativos localizados ao nordeste de Angola.

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Kakolo foi saudado pelo Nganga Katuvanjesi em línguas quicongo e quimbundo. Nas primeiras fotos, da direita para a esquerda: Mam`etu Usuanji – Alessandra de Matamba; Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno; Omolan ya Sekulu Kakolo – Edson Calixto; Taata Kwa Nkisi Mutadiamy do Inzo tumbansi tua ngana Zambe Mutakalambo – professor Maurício Luandê representante do Instituto de Educação e Cultura Mwana Zambe.

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Este evento singular e histórico foi muito importante para compreender a influencia tradicional dos jinkisi “plural de nkissi” nas relações entre as religiões tradicionais concentradas em Angola e o candomblé brasileiro. As trocas de experiências se efetivaram em forma de conversas em circulo, semelhantes á tempos imemorias que os grandes Sobás descutiam seus interesses ao redor da fogueira cujo direcionamento do Taata Katuvanjesi, ofereceu um diálogo tranqüilo e esclarecedor.

Taata Mutadiamy, nos informou que um dos momentos mais significativos foi a descoberta dos atabaques “ngomas” semelhantes aos ritos praticados na África, pois lá também se tocam os mesmos tambores com as mãos após determinada preparação dos tocadores.

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A revalorização dos aportes culturais dos africanos e seus descendentes, de certa forma, sobrevivem no Brasil, fato este, que emociona e fortalece as atividades realizadas com ás mascaras “macange” que trazem a força ancestral das divindades da África meridional; “A mascara representa o próprio Nkisi que assume diversas funções; antepassado divinizado, força da natureza e acima de tudo, seres iluminados dotados de poderes sobrenaturais…” palavras de Kakolo em conversa com tatá Mutadiamy.

O senhor Omolan ya Sekulu Kakolo em conjunto dos demais, exploraram oralmente temas relacionados à política cuja lembrança do líder Jonas Savimbi foi descutida com grande entusiasmo. Jonas Savimbi de tradição umbundo foi um político, guerrilheiro angolano e líder de um dos partidos mais importantes no processo de libertação de Angola a UNITA durante mais de trinta anos atravessou conjunturas diversas, tendo o apoio dos governos dos Estados Unidos da América, da República Popular da China, e até mesmo do regime do Apartheid da África do Sul. Além de ter o apoio de vários líderes Africanos.

Outras insígnias, práticas religiosas e tradicionais passaram pela conversação e pelo crivo da comparação devido ao fato de Kakolo pertencer ao clã tradicional liderado pela sua ti carnal sacerdotisa, que realiza rituais de cura, equilíbrio e fortalecimento dos membros, freqüentadores e adeptos.

Um acordo entre as diferentes entidades ILABANTU, e o Instituto de Educação e Cultura Mwana Zambe em parceria com a honrada família do senhor Omolan ya Sekulu Kakolo – Edson Calixto trarão para o Brasil através do acordo de livre comércio Brasil – África diversos materiais tradicionais como: tecidos, mascaras, artesanatos tradicionais dos Tchokwes, sementes, ervas, roupas, dicionários etc.

Aulas de Quimbundo e umbundo, também, entraram no calendário das duas entidades e um ciclo do curso destas línguas será ministrado por Kakolo na sede própria do Inzo Tumbansi tua ngana Zambe Kavungo, localizado próximo à Rodovia Armando Sales, 5205 – Recreio Campestre Itapecerica da Serra/SP – Brasil

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Banhos ritualísticos com utilização de ervas, culto aos jinkissi a partir da confecção das máscaras, preceitos, processos de purificação, utilização do kezu, “noz de cola”, e a utilização da cor branca como fonte de pureza e equilíbrio demonstram a semelhança entre as praticas africanas do clã tchokwe e o candomblé Congo-Angola. Outro aspecto semelhante, de acordo com a troca de informações, verdadeira literatura oral é a presença lingüística de uma língua ritualística utilizada pelo jinkissi falada no interior do culto. Tocante as línguas faladas pelos bantos entre o quimbundo e o quicongo, o umbundo oferece maior acessibilidade, assim aqueles que dominam tal língua comunicam-se de Angola até o Zimbábue.

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Por fim, através da interação oral nossos irmãos mais velhos como os mais novos fizeram diversas perguntas ao jovem, porém sábio, Kakalo. Depois de diversas comparações chegou-se a conclusão que o panteão cultuado pelos afro-brasileiros do candomblé de Angola assemelha-se ao panteão Tchokwe, e entidades como Matamba, Tinzazy e NbumbaLuango foram as mais próximas, inclusive a recorrência de entidades infantis como os Erês, conhecida e cultuada pelos tchokwe como Mwana Vunjy. Certamente a contribuição tchokwe é apenas uma faceta da aculturação africana dentro do candomblé de Angola resta-nos esperarmos que o Senhor tatá Katuvenjesi possa trazer outros representantes bantos para decifrar o difícil quebra-cabeça do culto aos jinkissi, seres sobrenaturais construtores da ordem e do equilíbrio do universo humano.

2 comentários em “Momento Histórico para as Tradições de Matriz Africana brasileira”

  1. Pejiga Clô D'Ogyian
    Parabéns irmão Tata kwa Nkisi Katuvanjesi – Walmir Damasceno, ao Inzo Tumbansi tua ngana Zambe Kavungo , ao Instituto Latino Americano de Tradições Bantu “ILABANTU” pela visita do senhor Omolan ya Sekulu Kakolo – Edson Calixto, tão importante para o povo Congo-Angola….

    Ngunzo.

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