6ª Conversa de Terreiro mobiliza comunidade tradicional de matriz africana e supera expectativas

São Paulo/SP – Na manhã de domingo (18/9), um dos mais tradicionais Terreiros de Candomblé de feição Bantu da capital paulista abriu suas portas para a realização da 6ª Conversa de Terreiro, uma parceria entre o ILABANTU/Inzo Tumbansi e o Terreiro de Candomblé Santa Barbara da saudosa Mam`etu Manaundê, estabelecido na rua Ruiva, 90, Vila Brasilândia, Zona Norte de São Paulo, local do evento e que concentrou centenas de fiéis da umbanda e do candomblé de várias nações, juntando-se a pesquisadores, estudiosos e profissionais da educação. Coordenado pelo Tata Nkisi Katuvanjesi (Walmir Damasceno) e Nengwa Oyajide (Mãe Pulqueria) a 6ª Conversa de Terreiro contou com a organização do Tata Kivonda (Axogun) Lembakaisy, Manoel Donato da Silva e toda comunidade integrada por filhas e filhos de santo do Terreiro de Candomblé Santa Bárbara.

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O evento foi aberto por Kota Kitamazi N`ganga, a médica Eunice Bernardes, de Mutaloombô; contando ainda com presenças de renomadas lideranças religiosas como Baba Mario Filho (Oníwindé Ifáṣọlá Ifárinú), acadêmicas e políticas como Ogã Inatobi, antropólogo Pedro Neto, professor doutor Vagner Gonçalves (USP), a carioca professora doutora Patricia Ferreira, secretário municipal de saúde de São Paulo, ex-ministro Alexandre Padilha, vereador Toninho Véspoli – PSOL, arqueóloga Paty Marinho; a modelo, professora e educadora social Adriana Vasconcelos; Ndembwemi diá Nzambi (Liliane Braga), Maganza de Uambulu N´sema(Bamburucema), doutoranda em História pela PUC-SP, educadora e pesquisadora do CECAFRO (Centro de Estudo Culturais Africanos e da Diáspora, da PUC-SP).

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Na abertura oficial do evento, Tata Nkisi Katuvanjesi foi enfático ao afirmar que “aqui não se trata de uma conferência de religiões com caráter elitista, mas sim um espaço que traduz em uma congregação de pessoas sem vaidades, um público qualificado e legitimo para propor ações em defesa dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana. Povo este que vive um momento crucial de perseguições, muitas das quais, ocorridas sob a conivência dos aparelhos de Estado”. Diante deste desafio, Tata Katuvanjesi explica que “este é o sentido da Conversa de Terreiro se realizar no território da Vila Brasilândia, o mais negro bairro da maior capital econômica da América Latina, o local onde habita a ancestral protetora denominada Julita Lima, a sagrada Manaundê que certamente está feliz com a presença deste público em seu solo sacro”.

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A intervenção cultural ficou por conta da banda Mbeji liderada pela musicista e antropóloga Ariane Molina a que abrilhantou os olhos e ouvidos de todos com uma impecável apresentação de cânticos afro-brasileiros mesclado com a típica MPB. Com uma recepção ímpar, os convidados e expositores foram também agraciados com dois Coffee-breaks e um almoço típico dos deuses, todos se deliciaram com a muamba, culinária angolana, frango com quiabo e polenta que sustentaram os ânimos para uma maratona de troca de conhecimentos, vivencias e teorias. No encontro o tema abordado “O Tempo e a Ancestralidade: os desafios da dinâmica de uma nova época”.

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As expectativas para este evento foram superadas e o Ilabantu já pensa em uma 7ª Conversa de Terreiro que pretende ultrapassar as fronteiras de São Paulo rumo a Salvador-Ba em um dos terreiros mais tradicionais do candomblé de Angola, onde se prevê positivamente a futura realização desta troca de saberes e fazeres ancestrais.

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Texto de Tata Arthur Mambulekwala – Ascom Ilabantu

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