Rei dos Umbundu é entronizado em Angola

Sua Majestade, Tchongolola Tchongonga, de nome civil Isaac Francisco Lucas, foi entronizado, quinta-feira (15/7), é o 37º a assumir o cargo e liderança do povo Umbundu, grupo étnico majoritário da República de Angola, país da África central.
A cerimônia de entronização contou com a presença da governadora provincial do Huambo, no planalto central de Angola e outros convidados, incluiu, entre outros aspectos, a unção de “folha de elimbui” embanhadas em óleo de palma para dar acesso à Ombala (Palácio Real).
Em seguida, o entronizado e a sua esposa, Abertina Abadessa Mito Lucas, dirigiram-se à residência oficial (Olombe) seguida dos convidados.
Conforme o ritual, o novo soberano sentou-se na entrada e em seguida recolheu um balaio contendo fuba(farinha de milho branca) ou omemba que deu de comer ao animal sacralizado.
Feito o sacralização do animal, o entronizado e sua esposa dirigiram-se ao mesmo para pisá-lo com os pés direitos para adotar o seu nome, isto é o primeiro e o último, pronunciando-o três vezes, seguindo posteriormente para o local de entronização para receber os conselhos do mestre de cerimônia, soba Ngambole(Francisco Kavili), sendo que entre os conselhos consta o fato de o rei ter cinco mulheres.
Após os conselhos, Tchongolola Tchongonga recebeu a espada (ondelia), símbolo do poder tradicional, para, no final, ser saudado pelos convidados.
No final da cerimónia Tchongolola Tchongonga dirigiu-se ao local da dança para dar os primeiros passos como forma de convidar os presentes a darem início a festa que só termina nesta sexta-feira, 16/7.


Linhagem real

Neto de Augusto Katchitiopololo Ekuikui IV, Tchongolola Tchongonga, de 37 anos de idade, foi eleito pela Corte da Ombala, em maio deste ano, em substituição de Armindo Francisco Kalupeteca (Ekuikui V), destituído do trono, em março deste ano.
O antigo vice-rei do Bailundo foi eleito com 153 votos, de um total de 206 eleitores, entre membros da corte, reis e sobas, das 80 Ombala do município do Bailundo, que dista 75 quilômetros da cidade do Huambo.
A sua maneira de dar solução aos problemas apresentados nos julgamentos tradicionais transmitiu confiança à população votante, num pleito que contou ainda com os candidatos João Cauengo Casandji e Joaquim Calado, que obtiveram 31 e 20 votos, respectivamente.
Na Ombala Mbalundu funcionam 37 sobas e diariamente recebem dois a três julgamentos, principalmente os relacionados com usurpação de terrenos, dúvidas relacionadas a paternidade, abuso sexual, casos de feitiçaria e roubos.
Já passaram pela Ombala Mbalundu 36 reis, o último foi Armindo Kalupeteca, que antecedeu a Augusto Katchitiopololo Ekuikui IV, falecido a 14 de janeiro 2012.
Além do Reino do Bailundo, fundado no século XV, a província do Huambo, no planalto central de Angola, conta ainda com os reinos do Chiyaka, Chingolo, Huambo e Sambo.

Tata Katuvanjesi saúda novo soberano do Bailundo


Em conversa por telefone no final do mês passado com Tchongolola Tchongonga, Tata Nkisi Katuvanjesi(Walmir Damasceno), autoridade tradicional da Comunidade Centro Africana Inzo Tumbansi, coordenador do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu(ILABANTU) e representante para o Brasil e América Latina do Centro Internacional de Civilizações Bantu(CICIBA), que em 2015 visitou o Reino do Bailundo, e participaria da cerimônia de entronização do novo soberano, não conseguiu viajar ao País africano por conta pandemia da Covid 19, felicitou o novo Rei e toda Ombala, desejando saúde e paz ao líder do povo Umbundu.

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